Artista com autismo desenha Cidade do México de memória

Vendeu a primeira obra aos 7 anos e é um dos mais conhecidos artistas britânicos

Stephen Wiltshire tem um dom: é capaz de desenhar com impressionante precisão cidades que guardou na memória. E poucos desenhos exemplificam tão bem esse dom como o está a fazer da Cidade do México, uma megápole com 20 milhões de pessoas, depois de um voo de meia hora sobre a capital mexicana.

O pintor e arquiteto, que tem autismo, é muitas vezes chamado "a câmara humana", por ter uma memória fotográfica, e é sobretudo conhecido pela sua capacidade de recriar paisagens urbanas, de Nova Iorque a Tóquio, passando por Singapura.

Desta vez, o britânico de 42 anos foi convidado para ir à Cidade do México e, depois de um breve visita e do passeio de helicóptero, desenhar a cidade. É a primeira vez que retrata uma cidade da América Latina e a obra vai ficar pronta esta sexta-feira. No canal de YouTube do artista é possível ver vídeos de outras obras.

Stephen nasceu em Londres e em criança não falava e não se relacionava com as outras pessoas, tendo sido diagnosticado como autista aos três anos. Mas quando entrou na escola, com cinco anos, tornou-se óbvio que desenhar era a sua forma de comunicar com o resto do mundo.

O seu talento não passou despercebido e aos sete anos vendeu o seu primeiro quadro; no ano seguinte recebeu uma encomenda do primeiro-ministro britânico para desenhar a catedral de Salisbury. Na sua primeira viagem a Nova Iorque conheceu o neurologista Oliver Sacks, que sempre se interessou pelos mistérios da mente humana, e desenvolveram uma relação, levando Sacks a escrever sobre ele.

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