Pilarete e algas portuguesas tentam conquistar a Europa

Seis estudantes portugueses vão representar Portugal na 29.ª edição do European Union Contest for Young Scientists

Três jovens cientistas viajam hoje de Oliveira do Bairro para a Estónia, onde vão apresentar o EasyPark, um projeto que prevê a instalação de um pilarete automático nos lugares reservados a pessoas com deficiência, para que apenas sejam usados por essas pessoas. Do Porto, três estudantes levam um fungicida feito à base de uma alga presente na costa portuguesa, que permite combater a doença da tinta em espécies florestais como o castanheiro. Depois de se terem destacado na 11.ª Mostra Nacional de Ciência, os dois projetos vão participar no Concurso da União Europeia para Jovens Cientistas (EUCYS), que decorre até quarta-feira em Tallinn, na Estónia.

Luís Pinto, Olavo Saraiva e Beatriz Bastião, alunos da Escola Secundária de Oliveira do Bairro, vão em representação do EasyPark, projeto desenvolvido no âmbito da disciplina de Inglês, que ganhou o 1.º Prémio na categoria de Engenharia na Mostra Nacional de Ciência. Foi a pensar em pessoas como a Beatriz, que dependem de uma cadeira de rodas, que a ideia surgiu. "É muito fácil ir a um supermercado, por exemplo, e ver que os lugares prioritários são usados por outras pessoas, que não têm qualquer tipo de handicap", diz Olavo Saraiva, de 16 anos.

De acordo com os estudantes, a ideia é colocar nos lugares de estacionamento prioritário um pilarete, que fica acima do solo sempre que o lugar estiver vago. Equipado com sensores de movimento e leitor de matrículas, o dispositivo identifica a matrícula do carro que se aproxima e, caso esta esteja na base de dados de automóveis autorizados a estacionar nesses lugares, o pilarete responde e desce. Desta forma, explicam, os lugares prioritários ficam livres para aqueles que realmente precisam e as pessoas fisicamente saudáveis são obrigadas a agir corretamente.

"O objetivo é aumentar a independência de pessoas portadoras de deficiência física, que por vezes não podem ir a determinados sítios, porque os seus lugares estão ocupados por pessoas que não deviam usá-los. Ao instalar o pilarete, mostramos que aquele lugar é importante para as pessoas que dele necessitam", destaca Luís Pinto, de 17 anos, acrescentando que "se as pessoas fossem civilizadas, isto não seria preciso".

Há vários anos que no Colégio Luso-Francês, no Porto, se fazem estudos com algas, razão pela qual, há três anos, um grupo de alunos decidiu tentar usar algas para combater "a Phytophthora cinnamomi, um oomiceta que não reage a qualquer fungicida comercialmente disponível e que se encontra incluído na lista dos cem fitopatogénicos exóticos invasores mais prejudiciais a nível mundial". Francisca Martins, Eduardo Nogueira e Gabriel Silva simplificam: "É um pseudofungo." A ideia, explicam, era "combatê-lo de forma natural, usando as algas para reforçar o sistema imunitário das plantas".

Em parceria com a UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, o grupo testou algas vermelhas, castanhas e verdes, tendo chegado à conclusão de que as vermelhas eram as melhores. "A macroalga Corallina sp. [nativa] inibiu o crescimento fúngico em 63%", adianta ao DN Francisca Martins, de 18 anos, que é agora colega do Eduardo no curso de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

Segundo Gabriel Silva, que iniciou agora a licenciatura em Engenharia Metalúrgica e de Materiais, "a praga que se está a tentar combater não tem cura e causa prejuízos de milhões em Portugal, mas também afeta outros países da bacia do Mediterrâneo, que muitas vezes não têm meios para a combater". Francisca explica que o "pseudofungo começa por atacar as raízes mais finas, causa necroses e em dois ou três anos a árvore morre, porque não tem capacidade de se alimentar". Fala em prejuízos na ordem dos 60 milhões de euros por ano na produção da castanha, mas esta é uma praga que "afeta dois milhares de espécies".

Representar Portugal lá fora

Organizado pela Comissão Europeia, o concurso conta com a participação de cerca de 150 jovens cientistas de 38 países, que apresentam projetos das mais variadas áreas da ciência. "Não é todos os dias que se representa Portugal lá fora", destaca Luís Pinto. Além de conseguir a melhor classificação no concurso, o grupo, que frequenta agora o 12.º ano, espera continuar "a desenvolver o pilarete". Já os jovens cientistas do Porto, que entretanto se tornaram universitários, estão a fazer a "caracterização química da alga para ver os componentes mais ativos no combate ao fungo", de forma a tentar criar uma solução que o iniba totalmente, uma vez que, a longo prazo, não seria viável usar a alga. "Podia até levar à sua extinção na costa." Estes jovens cientistas admitem "ter de passar a pasta" a outros estudantes do colégio, mas esperam manter-se ligados ao projeto.

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