Pensava-se que tinham ardido, mas os fósseis estavam no museu

Dois exemplares raros estavam desaparecidos desde incêndio de há quase 30 anos na Rua da Escola Politécnica, em Lisboa

Era madrugada quando o incêndio deflagrou na antiga Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, na Rua da Escola Politécnica, a 18 de março de 1978. De manhã, salvos os laboratórios e a casca das paredes, restavam escombros, cinzas e desolação. Milhares de peças únicas da zoologia, da botânica, e também muitos minerais, rochas, catálogos e documentos perderam-se para sempre em poucas horas. Nos dias, semanas e meses seguintes foi preciso recolher e voltar a guardar o que restava das coleções na confusa amálgama dos destroços. Agora, passados quase 30 anos, dois fósseis de valor científico raro, que se julgavam perdidos no incêndio, foram reencontrados no acervo de milhares de peças de geologia e mineralogia do agora Museu de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa (MUHNAC). Esta é a história feliz de uma (re)descoberta invulgar.

Foi um convite feito em outubro do ano passado por Vanda Faria dos Santos, paleontóloga e curadora da coleção de fósseis de invertebrados e plantas do MUHNAC, ao seu colega espanhol Fernando Barroso-Barcenilla, que acabou por conduzir ao achado.

Os dois já se conheciam. Colaboram há anos na investigação da paleogeografia (geografia geológica do passado) da Península Ibérica, no Cretácico, período compreendido entre há 144 milhões e 65 milhões de anos.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?