Pena de prisão de 23 anos para líder da seita de Palmela

O principal arguido no processo pediu para si próprio a pena máxima de 25 anos, mais do que foi pedido pelo Ministério Público

O Tribunal de Setúbal condenou à pena de 23 anos o principal arguido no processo de crimes de abusos sexuais de oito crianças em Palmela. A pena resulta do cúmulo jurídico de dezenas de crimes do líder da falsa seita "Verdade Celestial", de acordo com a Lusa.

Em julgamento estavam oito arguidos suspeitos de abuso sexual de crianças numa quinta de Brejos do Assa, no concelho de Palmela, que se apresentavam como elementos de uma seita religiosa.

Rui Pedro, o principal arguido, abusou de sete rapazes entre os cinco e os 14 anos e um adolescente. Os crimes constantes da acusação foram cometidos entre 2011 e 2015.

Dos restantes sete arguidos, cinco (quatro homens e uma mulher) foram condenados a penas de prisão entre os sete e os 19 anos, enquanto outras duas mulheres foram absolvidas, segundo o acórdão hoje conhecido no Tribunal de Setúbal.

Nas alegações finais, o principal arguido no processo por alegado abuso sexual de crianças pediu para si próprio a pena máxima de 25 anos de prisão, mais do que tinha sido pedido pelo Ministério Público (23 anos), de acordo com a Lusa.

O líder do grupo e principal arguido no processo, que se fazia passar por psicólogo e que se intitulava como mestre da falsa seita religiosa "Verdade Celestial" -- uma capa, segundo a acusação, para esconder os alegados abusos sexuais de crianças -, estava acusado de dezenas de crimes de violação, lenocínio e pornografia de menores, entre outros.

Entre as vítimas dos crimes está o filho do principal arguido no processo, que terá sido vítima do pai.

Segundo a acusação, os arguidos "revelavam um total desrespeito pelas crianças" que frequentavam a quinta para terem explicações ou participarem em atividades organizadas pelo líder do grupo. As crianças eram convencidas de que as sevícias sexuais a que eram sujeitas eram "atos purificadores".

O caso chegou ao conhecimento da Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal, que, em junho de 2015, efetuou uma operação policial que culminou com a detenção de oito pessoas - cinco homens e três mulheres.

Na mesma operação efetuada na quinta de Brejos do Assa, no distrito de Setúbal, a polícia apreendeu computadores, colchões, vídeos e fotografias, elementos de prova no julgamento, que decorreu à porta fechada.

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