Os relógios vão atrasar. Já sabe o que fazer com as 25 horas de domingo?

Faça o que lhe apetecer, mas não siga em piloto automático: tenha consciência de que lhe estão a dar 60 minutos extra para usar

Quando forem duas da manhã de domingo - 01.00 nos Açores - deverá atrasar o relógio uma hora. É o regresso ao horário de inverno. Mas antes de começar a pensar que os dias vão escurecer mais cedo, lembre-se de que amanhã vai ganhar uma hora. Veja esta mudança como um bónus e aproveite os 60 minutos para fazer algo que lhe dê prazer. Sair à noite durante mais uma hora, ver uma série, ou levantar-se pela "hora antiga" e ler, fazer exercício ou simplesmente não fazer nada são algumas das sugestões. É certo que se trabalhar por turnos o cenário não será tão positivo, mas poderá vingar-se em março, na passagem para o horário de verão.

"Vamos ganhar tempo, que é o bem mais precioso nos países desenvolvidos. Devemos ter consciência de que vem aí uma oportunidade de ter mais uma hora, que nos estão a dar uma pérola que devemos aproveitar", destaca Helena Marujo, presidente do Instituto da Felicidade. Atendendo a que "muitas pessoas dizem não ter tempo de cuidar de si e para estar com os outros", a também docente da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa sugere que os 60 minutos sejam de "interioridade e paragem, que é das maiores necessidades que vivenciamos".

Essa pausa, indica Helena Marujo, deve ser "consciente, profunda, reflexiva ou até, em alguns casos, de meditação." Mas pode ser uma reflexão "em movimento, a fazer exercício físico", sugere. Pode ser "para estarmos a sós, a refletir" ou para "investir nas relações com os outros." Acordar à hora que seria habitual e passear no parque com a família, investir na leitura daquele livro que está parado há meses, fazer uma compota ou uma sobremesa para o almoço são algumas propostas. Quem preferir, pode estender a noite na companhia dos amigos durante mais uma hora ou ver um episódio da sua série preferida.

Para Madalena Lobo, diretora- -geral da Oficina de Psicologia, os 60 minutos também "devem ser encarados como um bónus. Por isso, deve pensar-se: qual a melhor forma de os rentabilizar?" A psicóloga sugere que, antecipadamente, "reflita sobre o que é verdadeiramente importante na sua vida e, na sequência disso, ocupe a hora que vai ganhar com algo relacionado com isso, que lhe dê prazer." Por isso, se aquilo que mais lhe importa são os seus filhos, Madalena Lobo sugere que use essa hora "para fazer algo extraordinário com eles, que habitualmente não fazem."

O único "pecado" será, na opinião da psicóloga, seguir em "piloto automático" e fazer de conta que essa hora não existiu. "Devo pensar como a quero usar, numa forma de a rentabilizar, mesmo que seja a dormir", sublinha. Isto porque, explica, "para quem tem uma vida muito stressante e está cansado, pode apetecer dormir mais uma hora".

E porque não passar uma hora a rir? Caso não chova, Sabrina Tacconi, embaixadora do riso em Portugal, sugere que "vá até um jardim com a família e os amigos e faça umas brincadeiras do riso." Propõe, concretamente, o "riso do relógio": "Olham para um relógio imaginário, mostram-no às pessoas que fazem parte da reunião e riem juntos da mudança da hora." A ideia, explica, é ver que se trata de "algo positivo, que vamos entrar num novo horário, naturalmente mais calmo."

Sabrina Tacconi apela à "partilha de emoções positivas, sendo o riso uma das mais positivas que existem. Até porque por vezes não há tempo para a partilha e o convívio com a família e os amigos". Na sua opinião, "é melhor aproveitar para viver do que para dormir."

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João Gobern

País com poetas

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