Oito esquadras da PSP em Lisboa vão fechar portas

Plano antigo para encerrar instalações em Carnide, Rego, Arroios, Boavista ou Alcântara, vai mesmo avançar. Ministério alega que permitirá colocar 80 polícias nas ruas

Carnide, freguesia de Lisboa com dois bairros municipais difíceis, Horta Nova e Padre Cruz, arrisca ficar sem as duas esquadras da PSP que servem essas populações, a 32.ª e a 36.ª, respetivamente, porque distam pouco mais de 800 metros entre si e apenas um quilómetro da esquadra principal de Carnide. Por isso estão na lista das oito instalações de polícia que vão ser desativadas. O plano de as encerrar "está a ser ultimado", garantiu ao DN o Ministério da Administração Interna (MAI), assegurando que "em termos de poupança financeira será pouco significativo". Mas, "em termos de recursos humanos terá um enorme reflexo. Oito esquadras desativadas em Lisboa vão significar mais 80 elementos da PSP na rua", explicou o gabinete da ministra Constança Urbano de Sousa.

As esquadras que vão fechar as portas são: 10.ª, em Arroios (1.ª Divisão); a 16.ª, no Bairro do Condado (antiga zona J de Chelas, 2.ª Divisão); 29.ª na Quinta do Cabrinha (4.ª Divisão); 31.ª do Rego (3.ª Divisão); 32.ª no bairro da Horta Nova (3.ª Divisão) e 36.ª no Bairro Padre Cruz (3.ª Divisão); esquadra do Tribunal de Monsanto e 43.ª no bairro da Boavista. Está ainda prevista a saída da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Alcântara para um edifício na freguesia de Carnide, que seria na sede de uma mega esquadra. Quanto à sede da 4.ª Divisão da PSP, no Largo do Calvário, em Alcântara, acabaria por se mudar para o atual edifício da DIC.

Sindicatos impõem condições

O plano proposto para a reorganização do dispositivo do comando de Lisboa da PSP ao MAI é antigo e nasceu no tempo em que o atual primeiro ministro António Costa detinha a pasta da Administração Interna (de 2005 a 2007, governo liderado por José Sócrates), segundo recordou Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP). "Fomos ouvidos sobre este plano quando era ministro . E o que defendemos então continua a ser válido. A reorganização tinha de garantir duas coisas: que se encerravam esquadras que estivessem demasiado próximas entre si mas também que sempre que se pensasse em fechar uma esquadra teria de ser ouvida a população". Paulo Rodrigues não viu até agora esse envolvimento das comunidades. "O anterior ministro Miguel Macedo retomou o plano e foi-nos perguntada a opinião. Voltámos a dizer o mesmo, acrescentando que se se fecham esquadras é preciso ter, em alternativa, mais viaturas para patrulhamento, mais visibilidade nas ruas e mais meios logísticos". A atual ministra ainda não perguntou a opinião da ASPP e de outros sindicatos sobre o plano.

Mário Andrade, presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP), entende que "o encerramento de esquadras é preferível do que não ter efetivo para elas. Assim libertamos agentes para os serviços operacionais". E dá o exemplo da freguesia de Carnide "que tem três esquadras que distam um quilómetro entre si. Não faz sentido". Mas depois, sublinha, "é preciso compensar com mais meios, nomeadamente carros patrulha".

Fonte da hierarquia que acompanhou o plano desde o seu início assegura ao DN que os entraves continuam a ser os mesmos: a resistência de alguns presidentes de juntas de freguesia ao fecho de algumas destas subunidades da PSP. É o caso do autarca de Carnide (ver caixa), que não aceita o encerramento das esquadras nos bairros Horta Nova e Padre Cruz, mas também do presidente da junta de Alcântara, que rejeita o fecho do posto policial da Quinta do Cabrinha (bairro que realojou os habitantes do degradado Casal Ventoso). Este autarca não esteve contactável.

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