Obras da nova 2.ª Circular já começaram e só param no próximo verão

A empreitada já avançou e continua a causar controvérsia. Obras a acontecer em simultâneo geram problemas de circulação

Está aberta mais uma frente de obras em Lisboa, com as críticas à câmara municipal a terem de novo eco. A primeira fase das obras da 2.ª Circular começou ontem à noite, entre o troço do nó do RALIS e a Avenida de Berlim, na freguesia dos Olivais. A requalificação vai durar três meses, seguindo-se uma segunda empreitada de oito meses. O avanço da obra, numa altura em que ainda decorrem outras na cidade, levanta críticas. Acusando a vereação de estar a "destruir" a cidade, o presidente do Automóvel Club de Portugal (ACP) diz que está a "estudar juridicamente" o que fazer contra a Câmara Municipal de Lisboa pelo prejuízo que vai causar aos lisboetas. Já a Ordem dos Engenheiros fala de falta de planeamento e prevê o caos no trânsito.

Esta primeira intervenção está orçada em 750 mil euros e engloba aproximadamente três quilómetros. De acordo com a informação disponibilizada pela autarquia na internet, esta parte dos trabalhos "provocará o condicionamento de trânsito no local - apenas durante a noite, entre as 22.00 e as 06.00 -, de forma a assegurar a fluidez da circulação. Todas as alterações e desvios de trânsito vão ser coordenados no local pelas autoridades policiais".

Já a segunda empreitada entre o Nó da Buraca e o aeroporto tem dez quilómetros e representa um investimento de cerca de dez milhões de euros. A requalificação da via, lembra o município, será feita "através da renovação de todo o piso, da substituição da iluminação pública que se encontra obsoleta, da reparação do sistema de drenagem e da redução do número de entrecruzamentos".

Para o presidente do ACP, Carlos Barbosa, a coincidência das datas de obras em troços importantes da cidade "é uma loucura. É uma ganância e um calendário que não fazem sentido, a não ser por questões eleitorais". Apesar de haver "menos 30% de trânsito em Lisboa nesta altura", prossegue, "entradas, saídas e o miolo" da cidade estão obstruídos. Na opinião de Carlos Barbosa, "isto ultrapassou o que é razoável. É a destruição da cidade".

Embora as obras sejam feitas durante o período noturno, Carlos Barbosa lembra que o material fica nas vias durante o dia, o que causa transtornos na circulação. "Esta vereação não tem o mínimo respeito pelos lisboetas", frisa.

De acordo com os números da autarquia, decorriam 37 obras no mês de junho em Lisboa, desde as empreitadas na frente ribeirinha, passando por várias repavimentações e melhorias de piso. "Estão criadas todas as condições para que se estabeleça o pandemónio na cidade", alerta Carlos Mineiro Aires, bastonário da Ordem dos Engenheiros. A agravar a situação, sublinha, está o facto de muitas obras "estarem a derrapar nos prazos".

A obra da 2.ª Circular é complicada, aponta o responsável, pelo que "seria bom que a cidade estivesse descongestionada para que as pessoas tivessem alternativas. Neste momento, não há escapatórias". Na opinião do bastonário, era importante que terminassem algumas obras antes de começar outras.

As críticas também se fazem ouvir por parte da oposição e dos moradores. O vereador do CDS-PP, João Gonçalves Pereira, disse que é favorável a intervenções, mas questionou o facto de "a Câmara de Lisboa querer fazer as obras na cidade todas ao mesmo tempo, e concentradas apenas num ano e meio". Para o PSD, está a cometer-se um "erro de estratégia". António Prôa diz que tudo vai acontecer ao mesmo tempo, "entupindo a cidade". Já o vice-presidente da Federação das Associações de Moradores da Área Metropolitana de Lisboa queixa-se de que a "câmara não tem ouvido as pessoas".

A 24 de maio, o vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, adiantou que as obras iriam ter início "imediatamente". No entanto, explicou fonte da autarquia ao DN, o contrato da empreitada foi assinado nesse dia, mas "a tramitação demora normalmente um mês", o que quer dizer que as obras estão a começar no tempo previsto.

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