O Algarve está a mudar. Em 2017 Monte Gordo terá uma cara nova

As praias do concelho de Vila Real de Santo António vão ser requalificadas e sujeitas à maior revolução urbanística da história

Férias no Sotavento algarvio no próximo verão? Prepare-se porque algumas zonas podem estar irreconhecíveis. Na praia de Monte Gordo, está em curso uma operação sem precedentes de requalificação que vai mudar totalmente a paisagem. Toda a linha de costa do concelho de Vila Real de Santo António (VRSA) - que inclui várias praias conhecidas, como Manta Rota e Cacela Velha, vai ser alvo de uma intervenção urbanística, coordenada pela Câmara Municipal, mas que tem também o apoio da Agência Portuguesa do Ambiente e da Capitania. Hotéis de charme, reabilitação de toda a zona da foz do Guadiana e do passeio ribeirinho da cidade, bem como do centro histórico, são alguns exemplos que vão contribuir para um novo Algarve. O investimento está estimado em cerca de 200 milhões de euros, que virá sobretudo de privados na construção e exploração de novas unidades hoteleiras.

"Todos este projetos têm como significado mais forte o fim de tudo o que foi feito de mau no Algarve no que diz respeito à excessiva densidade urbanística", salienta Luís Gomes, presidente da autarquia desde 2005, eleito pelo PSD, com maioria absoluta nos dois últimos mandatos. Está agora de saída, com o seu terceiro mandato a terminar nas próximas autárquicas de 2017 e quer deixar uma imagem desta costa bem diferente daquela que encontrou, "quando ainda havia esgotos a correr para as praias do concelho". Águas cristalinas e tépidas, areia branca e macia, um tempo sempre ameno, fazem desta zona uma das mais procuradas pelos portugueses. E porque demorou tanto tempo a lançar esta "revolução"? "Foi o tempo que levou, cerca de sete anos, a incentivar e a sensibilizar o Estado para apoiar o plano", justifica Luís Gomes, que salienta o papel da Agência do Ambiente e da ministra do Mar do atual governo, Ana Paula Vitorino.

Com a conclusão prevista para o próximo verão está o lifting da praia de Monte Gordo. Todos os apoios de praia vão ser demolidos e 16 novos, bem alinhados às dunas e com uma arquitetura discreta, vão ali nascer. Desde o hotel Dunamar até ao final da linha de costa do concelho será instalado um passadiço de madeira com um total de 2,5 km. Paralelamente, será criado um passeio marítimo, na frente mar, com espaços verdes e de lazer, comércio, lojas e restauração. "À requalificação do espaço público irá juntar-se o desenvolvimento da nova identidade visual de Monte Gordo, cuja aplicação será gradualmente efetuada durante a operação de reordenamento da faixa litoral", assinala Luís Gomes. "A nova imagem inspira-se nas memórias, tradições e valores naturais daquela zona balnear e visa consolidar a marca turística de Monte Gordo", acrescenta ainda.

Hotéis com muito charme

Nesta intervenção de Monte Gordo está prevista a construção de dois novos hotéis, um deles na frente praia cujo concurso público foi lançado e que se prevê estar concluído em 2018. "Será um núcleo hoteleiro de gama superior. Terá vistas espetaculares sobre a baía de Monte Gordo e a Mata Nacional das Dunas Litorais e é uma resposta aos máximos conseguidos de ocupação registados na zona turística de Monte Gordo, cujas taxas médias foram as mais elevadas de todo o Algarve", sublinha o autarca.

Na cidade sede de concelho, junto ao porto e à foz do Guadiana, e no próprio centro histórico, também estão planeadas intervenções substanciais. Toda a área do antigo porto de VRSA, cerca de sete hectares, vai ser reabilitada, estando prevista a construção de dois hotéis, um centro de congressos e uma clínica.

Incluído no "pacote" está a requalificação integral das antigas estruturas industriais, que serão convertidas em habitações, bem como a recuperação da muralha. Na praça central da cidade, aquilo que é hoje um edifício com serviços camarários vai ser concessionado a um investidor e transformado num dos três novos hotéis de charme que vão abrir em pleno centro histórico. "Localizados na baixa pombalina - candidata a Património da Humanidade da Unesco - os alojamentos aliam a recuperação do património ao turismo cultural e terão a configuração de um resort a céu aberto", explica Luís Gomes.
Para a foz do Guadiana, hoje uma zona com algumas áreas degradadas, está prevista também uma quota-parte da revolução urbanística. O município já deu início à empreitada de reabilitação do "emblemático" hotel Guadiana, classificado imóvel de interesse municipal desde 2010. A obra já foi aprovada pelo Tribunal de Contas e tem o valor-base de dois milhões de euros. Luís Gomes acredita que "deverá está concluída também no verão de 2017". A requalificação prevê a manutenção da histórica fachada e dos pormenores da decoração estilo francês, projeto do arquiteto Ernesto Korrodi, cuja construção data entre 1918 e 1921.

Esta empreitada engloba ainda a recuperação de um edifício na Ponta da Areia, igualmente na foz do rio, para ser instalado um "Beach Club". A exploração do hotel vai integrar o edifício da Alfândega - que foi a primeira construção da cidade - onde será criado um museu.

Vila Real de Santo António é dos concelhos do país mais endividados, mas o presidente do município acredita que com estes novos projetos de investimentos, juntamente com a concessão das águas a privados, um processo já em curso e contestado pela oposição, vai conseguir sair do vermelho financeiro. "É preciso não esquecer que essa dívida cresceu porque fomos obrigados a fazer investimentos que nunca tinham sido antes realizados. Só em saneamento básico e infraestruturas foram mais de 62 milhões de euros. Mas é preciso que se destaque que, só em ativos, o município cresceu de 15 para 200 milhões, através de uma inteligente política de solos que lançámos, contra a especulação imobiliária e pela valorização dos terrenos municipais", argumenta o presidente da Câmara.

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