"Novos medicamentos podem fazer a diferença"

O presidente da Associação Portuguesa de Investigação em Cancro lembra que a incidência de cancro da mama continua a aumentar, pelo que se espera que os esforços para o diagnosticar precocemente e tratar eficazmente mais cedo conduzam a uma diminuição da mortalidade. A investigação não para e, segundo Luís Costa, está a ser depositada confiança em inibidores de ciclinas e imunoterapia.

Quais as novas terapêuticas para tratar o cancro da mama?
As principais novidades no tratamento médico do cancro da mama nos últimos 12 a 18 meses surgem pela descoberta de uma nova classe de medicamentos para tratar o cancro da mama em estado avançado, que tem expressão de recetores hormonais (estrogénios e ou progesterona). São inibidores de ciclinas e impedem a multiplicação das células, sendo usados em combinação com fármacos de hormonoterapia. Como exemplo temos: o palboclclib, o ribociclib e mais recentemente o abemaciclib. Os resultados sugerem uma forte actividade anti-tumoral: prolongam o tempo até o tumor conseguir crescer novamente e aumentam a taxa de regressão das massas tumorais. Os ensaios clínicos para após a cirurgia e com a expectativa de que possam diminuir as recidivas estão agora em curso.

Como é que está a investigação nesta área atualmente?
Continua muito ativa, com esperança de que novos medicamentos possam fazer a diferença: inibidores de ciclinas como já referi; imunoterapia (particularmente para os cancros da mama designados como triplo-negativos); entre outros. Sabemos também que os cancros da mama associados a mutações de genes responsáveis por reparação do ADN, tais como o BRCA1 e 2, podem ser alvo de tratamentos com uma nova classe de medicamentos designada por inibidores da PARP. Estão em ensaios clínicos. É também muito importante a investigação que tem como objetivo classificar melhor o risco para recidiva após cirurgia de cancro da mama, e neste contexto selecionar melhor os doentes que devem ou não fazer quimioterapia. Existem outras áreas importantes em estudo, desde a deteção precoce até ao desenvolvimento de estratégias mais conservadoras da qualidade de vida das doentes.

O que podemos esperar?
A incidência do cancro da mama continua a aumentar. Assim, o que posso esperar de momento é que os nossos esforços por diagnosticar mais cedo e por tratar melhor mais cedo, resultem numa diminuição da mortalidade, apesar do aumento da incidência. Será importante definirmos metas por subgrupos de cancros da mama e não olhar somente para o todo. As necessidades de melhoria são diferentes de grupo para grupo: nuns casos pode ser tratar igualmente bem com menos toxicidade, noutros casos pode ser mais prioritário apostar no aumento da eficácia da terapêutica.

O que se sabe em relação à mutação portuguesa do cancro da mama?
É uma situação frequente entre as portadoras de cancro hereditário. Esperamos que em 2018 possamos dar informações mais específicas sobre o comportamento dos cancros associados a esta mutação e, talvez, olharmos de uma forma mais adequada sobre a seleção dos tratamentos.

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