Sintra vai comprar Quinta Mont Fleuri por 2,8 milhões de euros

Presidente da Câmara de Sintra disse que a proposta foi aprovada na câmara e agora tem de ir à Assembleia Municipal e ao tribunal de contas

O município de Sintra vai adquirir a Quinta Mont Fleuri, situada junto à Estrada da Pena, exercendo o direito de preferência pelo valor de 2,8 milhões de euros, segundo uma proposta do presidente da autarquia.

"Exercemos o direito de preferência, a proposta foi aprovada na câmara e agora tem de ir à Assembleia Municipal e ao Tribunal de Contas", disse o presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta (PS).

A Quinta Mont Fleuri, propriedade da família de Jorge de Mello, com a área total de 7.491 metros quadrados (m2), possui um palacete de finais do século XIX, dentro da zona classificada património mundial pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

Segundo o autarca explicou na reunião do executivo municipal, o imóvel "possibilita várias coisas, com um jardim de 8.000 m2, que pode ligar através de uma ponte ao Parque das Merendas, fazendo uma disponibilização e a fruição para os sintrenses do coração da sua vila".

A quinta possui uma "casa principal" de três pisos, uma "casa secundária" e um estúdio construído em pinho finlandês, "sobre uns arcos datados do século XVIII", na proximidade da Quinta da Regaleira, também propriedade municipal.

No palacete, Basílio Horta gostaria de aproveitar o rés-do-chão para "ter um museu", existindo a possibilidade, ainda não confirmada, da instalação de "uma das maiores, senão a maior coleção de Companhia das Índias do mundo", propriedade de um cidadão brasileiro.

"No primeiro andar, os quartos podem ser para pessoas que venham a Sintra, que nós queiramos convidar, altos dignitários do mundo", que em vez de irem para um hotel "podem ficar instalados numa casa da câmara", afirmou o autarca.

Uma outra casa poderá servir "para receber convidados, chefes de orquestra, atores de cinema e de teatro, escritores que vêm a Sintra", acrescentou.

"O vendedor disse-nos que teria havido um engano no preço, que o preço era mais alto, mas nós tivemos de dizer que escusava de fazer qualquer requerimento, porque seria indeferido liminarmente, porque essas coisas fazem-se antes do direito de preferência ser exercido", adiantou Basílio Horta.

O proprietário informou a autarquia da venda do imóvel por 2,8 milhões de euros, para eventual exercício do direito de preferência, valor abaixo da "avaliação realizada pela Divisão de Gestão do Património Imóvel no valor de 3,1 milhões de euros", lê-se na proposta levada ao executivo.

No documento refere-se que o imóvel esteve à venda por cinco milhões de euros e, recentemente, por quatro milhões de euros.

"Trata-se pois de uma oportunidade única de adquirir um imóvel, com interesse municipal, importantíssimo para a consolidação e valorização do edificado e da malha urbana integrada na classificação de património mundial", considera a proposta.

A proximidade nomeadamente com a Quinta da Regaleira e o Parque das Merendas também "permitirá um incremento da intervenção cultural do município, e a fruição coletiva de espaços que se desejam públicos e de acesso universal".

A aquisição do imóvel "será realizada nos mesmos termos do contrato celebrado entre os particulares e comunicado ao município" e, na impossibilidade de convocar antes o executivo, o autarca propôs a ratificação do seu "ato de exercício do direito legal de preferência, concretizado no dia 23 do corrente mês".

O executivo aprovou a aquisição do imóvel por 2,8 milhões de euros, com votos favoráveis do PS e PSD e abstenção dos eleitos do movimento Sintrenses com Marco Almeida.

"Fazia-nos falta um espaço assim no centro histórico", sublinhou Basílio Horta, acrescentando tratar-se de um imóvel de interesse municipal que "fica para os munícipes".

A Quinta Mont Fleuri é descrita por uma imobiliária como "a fusão perfeita entre a serra de Sintra e o seu centro histórico", composta por espaços verdes e fontes que inspiram à tranquilidade, "um espaço único em perfeita harmonia com a natureza".

A casa senhorial, com 656 m2, possui duas salas de estar com lareira, sala de jantar, quarto de família, escritório, sala de jogos, dois quartos com casa de banho privativa e outros dois com instalações sanitárias partilhadas, duas cozinhas em dois andares e lavandaria.

Na obra "Velharias de Sintra", o historiador José Alfredo da Costa Azevedo atesta que a propriedade "Mont Fleuri" data de finais do século XIX e que "pertenceu ao capitalista Pedro Gomes da Silva", antes de ficar "na posse da família Melo".

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