Mudança da hora troca as voltas ao mundo durante duas semanas

Portugal está quase a regressar à hora de verão, mas alguns países já adiantaram os relógios

Nos próximos dias vamos andar para a frente no tempo e "perder" a hora que recuperámos em outubro. Não é magia nem ficção científica, apenas o regresso à hora de verão, que pode ser igualmente perturbador. É que são muitos os países que vão adiantar os relógios, a começar pelos Estados Unidos, Canadá e Cuba, por exemplo, que já mudaram este domingo. A maior parte da Europa, no entanto, muda a 27 de março, incluindo Portugal.

Isto somado aos muitos fusos horários dá... uma grande confusão. Vejamos: sabe qual a diferença horária entre Lisboa e Nova Iorque? Cinco horas é a resposta correta... na maior parte do ano. Nas próximas semanas, no entanto, serão apenas quatro, porque os EUA já regressaram à hora de verão e Portugal ainda não.

A União Europeia começou a emitir diretivas sobre este tema em 1981. No entanto, foi preciso esperar até 1996 para conseguir que todos os países entrassem e saíssem deste horário às mesmas horas e nos mesmos dias. Assim, por considerar que é uma decisão "importante para o funcionamento do mercado interno", a decisão da UE é tomada a cada cinco anos e em conjunto.

É preciso recuar um século para encontrar as raízes da mudança da hora, associadas ao racionamento de energia na I Guerra Mundial. A hora de verão já tinha sido proposta pelo americano Benjamin Franklin, que, entre as lentes bifocais e o para-raios, inventou também a ideia de adiantar os relógios no verão, para poupar energia: na altura, século XVIII, cera de vela, portanto, 32 mil toneladas só em Paris, previa o político e inventor.

A ideia ficou no ar e arranjou defensores, da Inglaterra à Nova Zelândia, mas só no contexto da Grande Guerra é aplicada: Alemanha e Império Austro-Húngaro primeiro, em abril de 1916, um exemplo seguido prontamente pelos seus inimigos, que apenas três semanas depois também adiantaram o relógio. Portugal foi um desses países e desde então manteve esta tradição na maior parte dos anos, com algumas experiências pelo meio.

Quase um século depois, o argumento da poupança ainda faz sentido? Ou a confusão causada pela mudança de hora num mundo global é mais prejudicial? Há estudos que mostram que a poupança de combustíveis não justifica a mudança. Mas a tradição mantém-se, talvez pelo conforto de ter mais horas de luminosidade no verão, depois de sair do trabalho.

Os anos da experiência de 1992 a 1996

Em Portugal, entre 1992 e 1996, o País adotou a hora da Europa Central, seguindo o meridiano de Berlim. A decisão foi do Executivo de Cavaco Silva e o objetivo era acertar relógios com os nossos parceiros europeus, favorecendo os negócios. Uma experiência que já tinha sido feita entre 1966 e 1976, mas nessa altura sem usar horário de verão. No entanto, o desfasamento em relação ao tempo solar era tão grande - chegava a duas horas e meia - que as pessoas estranharam. O Governo de António Guterres não perdeu muito tempo antes de voltar ao Tempo Médio de Greenwich (GMT), em 1996.

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