Militar morre em exercício no curso de Comandos devido a "golpe de calor"

Um outro militar sentiu-se indisposto e foi transportado para o hospital

Um militar morreu no domingo à noite devido a um "golpe de calor" depois de um treino do curso de Comandos, informou hoje o Exército.

De acordo com uma nota do Exército português, o militar, que frequentava o 127.º curso de Comandos, sentiu-se "indisposto durante uma prova de tiro (tiro reativo)" tendo sido de imediato assistido pelo médico que acompanhava a instrução, que lhe diagnosticou "um golpe de calor".

Por esse facto determinou a saída do militar da instrução e a sua transferência para a enfermaria de campanha, onde terá ficado em observação, segundo a mesma nota. Como após o jantar a situação clínica do militar piorou, o médico optou pela sua retirada para um hospital, mas acabou por morrer após uma paragem cardiorrespiratória antes de chegar a ser transferido.

Segundo o Exército, houve ainda um outro militar que se sentiu indisposto na instrução técnica de combate (progressão no terreno), ao qual também foi diagnosticado com "golpe de calor" e retirado, numa primeira fase para a enfermaria de campanha, e mais tarde, cerca das 23:40 para o hospital do Barreiro. Ambos os incidentes ocorreram na região de Alcochete, distrito de Setúbal, mas em locais diferentes.

O General Chefe do Estado-Maior do Exército ordenou já um inquérito para apurar as causas em que o "trágico acontecimento ocorreu", pode ler-se ainda na nota, que adianta também que a Polícia Judiciária militar já se encontra a tomar conta da ocorrência.

Treinos vão continuar

O Exército esclareceu entretanto que, apesar da morte de um militar e de um outro ter ficado ferido no domingo, os treinos vão continuar, embora adaptados ao tempo quente que está previsto para hoje.

Numa resposta enviada à agência Lusa, as relações públicas do Exército avançaram que os incidentes ocorreram ambos na região de Alcochete, no distrito de Setúbal, embora em locais diferentes, sendo que o incidente do militar que veio a falecer ocorreu pelas 15:40 e o do ferido cerca de uma hora mais tarde.

De acordo com a mesma fonte, os treinos de domingo "não foram suspensos, foram adaptados", o mesmo sucedendo para hoje, com a previsão de realização de mais treinos, igualmente adaptados às condições atmosféricas.

Em declarações à TSF, o tenente-coronel Vicente Pereira, porta-voz do Exército, salientou que todo o treino de militares envolve situações de "risco", ainda que controlado, e sublinhou que, nesta fase, mais importante do que o inquérito que já foi aberto é "apoiar as famílias" do militar falecido e dos camaradas, estando o Exército a garantir o apoio psicológico necessário.