Milhares de jovens em Espanha e até a Cruz Vermelha vai com eles

Só Marina D'Or tem desde hoje cerca de oito mil estudantes nacionais a aproveitar as férias da Páscoa. Agências levam monitores, músicos e equipas de paramédicos

João Vieira vai estar pela primeira vez fora do país e longe dos pais. Mas na semana que vai passar em Marina D'Or - resort a 100 quilómetros de Valência - nem vai dar conta que está fora de Portugal. É que consigo vão cerca de oito mil estudantes portugueses do ensino secundário para a sua semana de viagem de finalistas. Marina D'Or é um dos destinos mais populares, mas outros como Gandia, Calpe ou Salou são também muito procurados pelos finalistas.

Apesar de Espanha permanecer como o principal destino das férias da Páscoa, outras rotas começam a ganhar adeptos. É o caso das grandes cidades europeias. Uma das agências especializada nestes destinos vai levar cerca de 1500 jovens este ano para Barcelona, Londres ou Paris.

João Vieira, 17 anos, espera ter uma semana de diversão com os amigos. "Vamos com o objetivo de nos divertirmos, passar uma semana fora de casa, sem os pais, e queremos conhecer o local, pessoas de outros cantos do país, mesmo espanhóis. Queremos ir lá para passar uma semana longe das responsabilidades." Porém, o aluno de Património e Turismo, assegura que conhece os seus limites e que "cada um tem que saber dosear as coisas". "Não estamos no nosso país e o melhor é evitar problemas", acrescenta.

Na prevenção, entra também o trabalho da GNR que mais uma vez lançou a Operação Spring Break com ações de sensibilização e de fiscalização. A primeira fase aconteceu na segunda e terça-feira junto de jovens para alertar para os "riscos associados a estas viagens". Depois dessa fase, e tendo em conta que a maior parte dos estudantes chegam hoje aos seus destinos de férias, os militares vão fazer fiscalização junto às fronteiras para detetar drogas e garantir as condições de segurança dos autocarros. No ano passado, foram fiscalizados 233 autocarros.

Condições de segurança que as agências de viagens garantem. "Temos dois motoristas sempre na viagem, cumprimos todas as normas. No destino temos 250 coordenadores à espera dos estudantes e em cada autocarro viaja um guia que é um aluno responsável", explica Tiago Sanches da Gama, diretor comercial da Sporjovem, que viaja apenas para Marina D'Or.

Também a ALA Viagens tem "duas pessoas por grupo a acompanhar" os finalistas. Embora esta agência seja especializada nas grandes cidades europeias - Madrid, Barcelona, Paris, Roma, Londres e Amesterdão - e a procura não inclua festas em discotecas, a segurança continua a fazer parte das preocupações, aponta Artur Vieira, da ALA Viagens.

Nestes destinos, os grupos dividem-se pelos diferentes destinos, havendo também ofertas para todas as carteiras. "Barcelona é a mais procurada e são oito dias, por 300 euros. Depois temos Amesterdão por 500 euros, que é das mais caras e Madrid, são apenas quatro dias e custa 170 euros", exemplifica o responsável.

Quim Barreiros e paramédicos

Por se tratar de uma concentração maior num único resort, a agência Sporjovem trata de todos os pormenores das férias para que esta semana seja inesquecível. O custo da estadia em Marina D'Or vai dos 220 aos 375 euros, dependendo dos dias (cinco ou sete) e se estão em apartamentos ou hotel.

A este preço - que pode incluir refeições - acresce ainda o bilhete para as festas. "São cinco noites de espetáculos com DJs todas as noites, o grande Quim Barreiros, uma check-in pool party ou o Holi Loco Sunset, uma festa no balneário de água marinhas e nas saunas. As festas à tarde são sem álcool." Tiago Sanches da Gama acrescenta ainda que a agência não é "apologista de tudo incluído e de se beber álcool à discrição", além disso, "há pulseira de cores diferentes para os menores de idade, que em Espanha não podem beber".

Para acompanhar as festas e dar apoio aos jovens em casos de excessos ou pequenos acidentes, a Sporjovem leva também até ao sul de Espanha, "uma equipa da Cruz Vermelha de Esposende, mas nem tem havido os chamados comas alcoólicos, nem acidentes, como quedas".

Cuidados que ajudam os pais a ficar mais descansados, admite Jorge Ascenção, da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). "Os pais vivem sempre o dilema de, por um lado, deixar os filhos voar um pouco e de estar longe", refere, mas defende que o caminho não é o da proibição. "Os pais devem mostrar que ir acarreta responsabilidades. A decisão é uma responsabilidade que cada família tem que assumir."

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