Metros são aposta e Linha de Cascais espera financiamento

Investimento nos comboios será para 2017, principalmente na tentativa de aumentar exportações a partir dos portos

Melhorar a oferta de transportes públicos, nomeadamente as redes de metro de Lisboa e Porto, é uma das apostas do Governo para o próximo ano. Um investimento que é, também, uma forma de tentar diminuir a utilização do carro particular não só nas deslocações para as principais cidade do País como dentro das mesmas.

Além dos financiamentos que estão previstos para a rede ferroviária (2,7 mil milhões de euros), o Governo, por intermédio do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, já assumiu que vão ser disponibilizados 22 milhões para obras no metro de Lisboa - inclui trabalhos nas estações do Areeiro. No Porto, será construída uma estação em Modivas. Durante o próximo ano devem ser, igualmente, iniciados os concursos para a expansão das linhas de metro que servem as duas cidades.

Cascais espera de financiamento

Uma ligação ferroviária que não tem o futuro definido é a de Cascais. O presidente da autarquia, Carlos Carreiras, tem reivindicado a sua remodelação justificando essa pretensão com a perda de utentes - em 1995 tinha 45 milhões de passageiros e em 2014 ficou-se pelos 23,8, segundo o dirigente já disse - e a má qualidade do serviço, que também tem vindo a merecer muitas críticas por parte de quem utiliza os comboios que ligam o Cais do Sodré a Cascais.

Aliás, a questão sobre o que o Governo pensa fazer com esta linha suburbana motivou na semana passada uma forte reação do autarca a declarações do ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, que alertou para a complexidade do problema e a necessidade de se efetuar avultados investimentos na linha. Em declarações ao jornal Público frisou que as verbas necessárias poderiam atingir os 500 milhões de euros.

Ao DN, o ministro lembrou que "a Linha de Cascais integra o Plano Ferrovia 2020 e é, portanto, umas das prioridades do Governo". Mas acrescentou o panorama difícil para a linha e a falta de solução: "Trata-se de uma Linha a necessitar de uma intervenção integral (infraestrutura e material circulante), à qual corresponde um investimento pesado. Apesar de a sua modernização constar de vários planos, nomeadamente o Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas (PETI) do governo anterior, nunca foi feito qualquer planeamento de intervenção que contemplasse a componente de financiamento. É nisso que estamos atualmente a trabalhar, ou seja, na elaboração de projetos de intervenção e correspondente financiamento".

Tese que o presidente da autarquia tem contestado pois já garantiu que o governo anterior (PSD e CDS-PP) tinha um plano de intervenção na linha no valor de 259 milhões de euros.

À parte esta questão a aposta do Governo para o próximo ano é a renovação das linhas ferroviárias que servem os portos - Sines, Setúbal, Aveiro e Leixões - de forma a, segundo o executivo, potenciar as exportações. Ao DN, o ministro adiantou que o Plano Ferrovia 2020 prevê a "intervenção em cerca de 1200 quilómetros de via, estando previsto um investimento que pode chegar aos 2,7 mil milhões de euros, com 62% desta verba (1,6 mil milhões) a ter origem em fundos europeus".

Financiamento que será direcionado para obras que garantam a "fluidez e rapidez do tráfego ferroviário. Haverá alguma construção de linhas novas, mas principalmente vamos investir na requalificação e modernização, seja, por exemplo, na eletrificação, na sinalização eletrónica ou em trabalhos na via que permitam a utilização de comboios de maior dimensão, o que tornará o transporte de mercadorias muito mais competitivo". É neste ponto que encaixa a aposta nas exportações. "Apenas a título de exemplo, o Corredor Sul permitirá aumentar a capacidade diária de saída do porto e da zona logística de Sines [reforçando a ligação a Espanha] dos atuais 36 comboios de 400 metros para 51 de 750 metros, o que corresponde a um acréscimo de capacidade de duas vezes e meia a atual", adiantou o ministério ao DN.

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