Metro sem data para reposição de cartões nas máquinas

Empresa está a usar o stock ainda existente de cartões Lisboa Viagem, para venda automática, nas estações de maior afluência. Mas não tem prazo para resolver problema

Sem avançar qualquer prazo para a reposição da normalidade na venda automática dos cartões Viva Viagem, o Metropolitano diz que está a gerir os stocks ainda disponíveis para minimizar os efeitos nas estações de maior afluência.

Em causa está uma quebra no fornecimento dos cartões nas máquinas automáticas - que usam um sistema específico, em rolo, que não está a ser reposto, devido a falhas na produção. Para fazer face ao problema o Metro de Lisboa garante que, nesta altura, estão em funcionamento postos de venda dos títulos ocasionais "em todas as estações". Já quanto às máquinas "o stock existente está a ser gerido tendo em vista a melhor articulação possível entre a venda em máquinas automáticas e nos postos de venda assistida, nas estações de maior procura", diz a empresa, em resposta a questões do DN.

A semana passada, Tiago Farias, presidente da Transportes de Lisboa (que agrega Metro, Carris e Transtejo), avançou que 100 das 280 máquinas estavam já sem cartões. Questionada pelo DN sobre o número atual, a empresa respondeu que este valor é "volátil", dado o recarregamento que ainda está a ser feito.

O problema com a emissão de cartões pelas máquinas automáticas (o carregamento continua a ser possível) vem juntar-se a um outro que, nas últimas semanas, tem provocado enormes filas nas estações do Marquês de Pombal e do Campo Grande - os milhares de pedidos de passes urgentes (que são feitos num dia) dos estudantes que estão iniciar o ano letivo. O metro diz que, desde ontem, está "processar mais 50% de cartões urgentes por dia" - "No conjunto dos postos de venda do Metro (Marquês de Pombal e Campo Grande), da Carris (Santo Amaro e Arco do Cego) e Transtejo (Cais do Sodré), passamos do processamento total de 1000 cartões Lisboa Viva urgentes por dia para 1500". O metro acrescenta, no entanto, que face ao grande afluxo de pessoas aos postos de vendas "por muito que se reforcem os meios, as filas são difíceis de evitar". E garante que, durante este mês e no próximo, há mais funcionários no atendimento. Certo é que, em ambas as estações, é habitual estar aberto apenas um posto de atendimento.

Ontem, a campanha "Passe a Passe" - oferta de uma mensalidade a quem adquirisse o cartão Lisboa Viva - não teve, aparentemente, grandes efeitos sobre as filas de espera. A meio da manhã, no Chiado, eram poucos os utentes que esperavam na fila para beneficiar da campanha. Um cenário que se repetia no Cais do Sodré. Já o Marquês de Pombal continuava a registar ontem grandes filas, mas de estudantes a pedir o passe urgente (que não estava abrangido na campanha). Maria Conceição era uma exceção - estava ali para tirar o passe normal. Mas não muito satisfeita: "O que se ganha em dinheiro perde-se em tempo. Estou aqui à mais de meia hora e com estas pessoas todas à frente [estariam umas dez] ainda demoro outro tanto".

Um discreto Dia Sem Carros

A campanha "Passe a Passe", lançada pela Área Metropolitana de Lisboa, foi ontem a face mais visível do "Dia do Transporte Público" - que foi também o Dia Europeu Sem Carros. Ao contrário do que sucedia há alguns anos, a data passou sem se fazer notar na vida dos automobilistas da capital.

João Branco, presidente da Quercus, defende que "continua a fazer sentido" assinalar a data. Admitindo que há "cada vez menos atividades" associadas ao Dia Sem Carros, o dirigente da associação ambientalista sustenta que vale a pena insistir com todas as iniciativas que alertem para o excesso de automóveis nas cidades: "Cerca de 90% do transporte é feito em carro particular, com impactos enormes no consumo de energia e de combustíveis fósseis."

Para Francisco Ferreira, dirigente da Zero (associação ambientalista que nasceu no final do ano passado de uma cisão com a Quercus) "faz falta" perceber como é a cidade - seja "uma zona, um bairro, uma avenida" - "sem carros, disponível para usufruto das pessoas". "Há inúmeros exemplos que mostram que há uma enorme resistência inicial, muito ceticismo, muita crítica, mas depois percebemos o que é o usufruto da cidade pelos peões, pelas bicicletas, para o lazer. Isso dá-nos uma visão do que pode ser a cidade. Essa inspiração é necessária. Infelizmente abandonámo-la", diz ao DN.

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