Melhoria de condições meteorológicas vai permitir melhor combate ao fogo

Miguel Albuquerque mostrou-se confiante de que as melhores condições vão facilitar o combate aos incêndios

O presidente do Governo Regional da Madeira disse hoje que as previsões de melhores condições meteorológicas "são mais animadoras" para um combate mais eficaz aos fogos que deflagram desde segunda-feira na ilha.

"Relativamente às previsões do tempo, as notícias são finalmente mais animadoras", disse Miguel Albuquerque na conferência de imprensa para balanço da situação dos múltiplos fogos que surgiram no Funchal e em outros concelhos da zona oeste da ilha.

O vento forte e as temperaturas na ordem dos 35 graus durante a noite obrigaram ao "reforço de meios" em várias frentes, mas as previsões de diminuição da intensidade destas condições "consubstancia um clima mais favorável ao controlo e posterior extinção" dos incêndios, sublinhou.

O governante confirmou que há três vítimas mortais, "pessoas idosas que foram apanhadas pelo fogo que lavrou em Santa Luzia [Funchal], que afetou duas casas" durante a noite.

Segundo o responsável, nos serviços de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, deram entradas nas últimas horas 327 pessoas devido a problemas de intoxicação por fumo e pequenas queimaduras, das quais 247 já tiveram alta, permanecendo internadas, em observação, outras 80.

Também apontou que já chegaram à Madeira os primeiros elementos do reforço solicitado ao Governo da República e dos Açores, "que já estão a atuar no ataque ao fogo no sítio do Transval".

Quanto às frentes de fogo, Miguel Albuquerque destacou, no Funchal, como situações complicadas, mas controlados, os focos na zona histórica de São Pedro, Bairro dos Moinhos, Til, Santa Luzia, Achada, Monte, Caminho do Lombo, Choupana.

Permanecem ativos, tendo sido necessário "uma componente de reforço" na zona do Transval, na Boa Nova, e São João Latrão, adiantou.

Por razões de prevenção foram evacuados os hospitais João de Almada, Marmeleiros, os lares de terceira idade de Santa Isabel, Vale Formoso e as clínicas de Santa Luzia e Santa Catarina, mas, "neste momento, como a situação já está estabilizada, os doentes e os profissionais estão a regressar aos respetivos estabelecimentos", anunciou.

No que concerne a realojamentos provisórios, o governante indicou que abrangeu 950 pessoas, que foram deslocadas para o Regimento de Guarnição n.º3 (quartel do Funchal), a escola e o centro paroquial e para o estádio dos Barreiros.

Miguel Albuquerque disse que um levantamento provisório indicava que o fogo tinha danificado 37 habitações no Funchal, nas freguesias de São Roque, Santo António e Monte, mas surgiram "situações díspares", pelo que este trabalho tem de ser "rigoroso" e em colaboração com as juntas de freguesia para não haver aproveitamentos indevidos.

Fora da zona do concelho do Funchal também surgiram vários focos de incêndio, casos na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos (concelho vizinho do Funchal), na zona dos Namorados, que "foi atacado e está controlado".

Um outro reacendimento foi combatido e "está sob controle" na freguesia dos Canhas, no concelho da Ponta do Sol (zona oeste da ilha), numa área floresta e existe uma "situação mais complicada na complicada na zona da Calheta" cuja corporação foi reforça com meios da S. Vicente e Porto Moniz", em várias frentes que são as mais ativas neste momento".

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