Medina defende mesquita da Mouraria

Presidente da Câmara de Lisboa admite negociar indemnização com proprietários expropriados

O presidente da Câmara de Lisboa admitiu hoje negociar a indemnização a pagar ao proprietário de dois prédios na Mouraria, que foram expropriados para dar lugar a um novo projeto que integra uma praça, um jardim e uma mesquita. Fernando Medina quer "consensualizar uma solução" com o dono dos imóveis, que ontem foi à reunião do executivo camarário queixar-se de que este processo não está a decorrer de forma correta.

Em causa está o projeto de requalificação das ruas da Palma e do Benformoso, que levou à expropriação de alguns prédios da zona, que serão demolidos. Na última segunda-feira, a autarquia tomou posse administrativa dos dois prédios de António Barroso, que foi informado que receberia pelos dois edifícios um montante de 530 mil euros. Ontem, Fernando Medina chamou o assunto à reunião da câmara para afirmar que a indemnização foi definida pelo tribunal e "não corresponde a uma decisão final do município", deixando expressa a "disponibilidade e vontade de que o processo decorra com normalidade e acordo" entre as partes. O autarca prometeu ainda que será marcada uma reunião, o mais breve possível, com o proprietário dos imóveis. Uma garantia que não satisfez António Barroso, que viria a interromper a sessão camarária : "A reunião que vai marcar já vem tarde, eu fui expropriado segunda-feira, com uma declaração que me tira o direito aos prédios e a passar recibos aos meus inquilinos".

Antes de se referir à questão das expropriações, Medina chamou o assunto à reunião para fazer a defesa da nova mesquita da Mouraria, negando que se trate de um "privilégio" à comunidade islâmica da cidade. Aos "que se têm manifestado contra a construção" da mesquita, o presidente da autarquia respondeu que Lisboa "é uma cidade livre, aberta, que se tem caracterizado pela tolerância religiosa, étnica, cultural". "Quando abdicámos desses valores foram os momentos de declínio da cidade", defendeu. Medina apontou ainda as críticas ao apoio da câmara à construção de um equipamento religioso, defendendo que esta tem sido a atuação da autarquia em relação a todas as confissões: "A construção de vários equipamentos, locais de culto, de partilha, de várias confissões religiosas tem sido apoiada por várias maiorias [na câmara] ao longo das últimas décadas". Palavras que foram secundadas por toda a oposição.

Medina esclareceu ainda que, no que se refere em concreto ao projeto da Mouraria, a Câmara de Lisboa será responsável "pela execução das demolições, construção de estruturas e revestimentos exteriores dos edifícios", após o que a obra será entregue "em tosco" ao Centro Islâmico do Bangladesh, ao qual caberão os custos com os "acabamentos interiores dos dois blocos do edifício onde será realizada a mesquita".

Ler mais

Exclusivos