Médico acusado de cinco crimes de violação nos Açores

Arguido, de 35 anos e nacionalidade cubana, trabalhava no hospital do Divino Espírito Santo

Um médico que exercia funções no hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, Açores, foi acusado de cinco crimes de violação e outro de importunação sexual, foi hoje anunciado.

Segundo a coordenação do Ministério Público da Comarca dos Açores, ao arguido, de 35 anos e de nacionalidade cubana, foi requerida ainda a aplicação da pena acessória de proibição do exercício da profissão de médico.

"O arguido mantém-se, cautelarmente, proibido de se ausentar da ilha de São Miguel e suspenso do exercício daquela profissão", adianta, em nota publicada no sítio na Internet do Ministério Público.

Em agosto, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção do médico pela alegada prática de dois crimes de abuso sexual de pessoa internada.

Em comunicado emitido na ocasião, o Departamento de Investigação Criminal de Ponta Delgada da PJ referiu que os crimes terão sido cometidos "no interior de um gabinete médico do serviço de urgência de uma unidade hospitalar".

"A vítima, de 33 anos de idade, havia dado entrada naquele serviço, em estado febril e com dores de ouvidos e garganta", acabando por sofrer abusos por parte do clínico, "altura em que fugiu do gabinete e foi pedir ajuda", acrescentou o comunicado.

Fonte da assessoria de imprensa do hospital do Divino Espírito Santo informou então que a unidade iria "avançar com um processo de averiguações".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?