Medicamento "histórico" para combater leucemia nos jovens aprovado nos EUA

Kymriah, terapia genética que pode ser usada em pacientes até aos 25 anos, é um novo medicamento que envolve a manipulação de células dos próprios pacientes para combater a doença

É uma aprovação, e também uma descoberta, considerada "histórica" pela Agência da Alimentação e do Medicamento dos EUA (FDA). Um novo medicamento, chamado Kymriah, que será produzido pela Novartis, combaterá a leucemia em pacientes até aos 25 anos.

O tratamento é a primeira terapia com genes a ser permitida nos EUA e envolve células dos próprios pacientes para combater a doença.

Será usado em crianças e jovens cuja doença não responde aos tratamentos tradicionais - cerca de 600 pessoas por ano nos EUA - mas está também a ser pensado para outras doenças e dá novos sinais no tratamento de cancro, mobilizando o sistema imunitário do corpo, explica o Washington Post.

Este novo tratamento não substitui os genes que causam a doença com genes saudáveis. Em vez disso, um complicado processo desenvolvido pela Universidade da Pensilvânia pega em células chamadas células T, que são extraídas do paciente e enviadas para um centro de maneira a serem modificadas. Assim, são incluídos novos genes que direcionam as células T para atacarem a leucemia. Estas células são depois colocadas novamente no corpo do paciente, diz o mesmo jornal.

"Estamos a ultrapassar fronteiras na inovação médica com a habilidade de reprogramar as células de um paciente para atacarem um cancro mortal", afirmou o comissário da FDA, Scott Gottlieb.

O tratamento está aprovado para pacientes até aos 25 anos cuja doença não responde ao tratamento ou que volta após os cuidados, como acontece em 20% dos casos, segundo a FDA.

Num estudo com cerca de 60 pacientes, este novo medicamento resultou numa remissão em 80% dos casos. Assim, está ainda a ser estudado quanto tempo o efeito do tratamento dura nas restantes pessoas. Espera-se que o tratamento seja caro e que tenha efeitos secundários como febre e problemas neurológicos, que podem ser combatidos por um outro medicamento chamado tocilizumab.

A FDA, devido aos riscos e novidade do tratamento em questão, requer que os funcionários de os hospitais estejam especialmente treinados.

A Novartis ainda não revelou preços, mas está já a ser pressionada sobre o custo do medicamento.

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