Centenas de árvores e estruturas caídas em Lisboa e no Porto

Tempestade Ana já passou, mas as temperaturas desceram. Portugal continental está agora sob a influência de uma massa de ar frio

Centenas de quedas de árvores e estruturas foram registadas nos distritos do Porto e de Lisboa entre as 00:00 e as 06:30 de hoje, sem causar vítimas segundo os Comandos Distritais de Operações de Socorro (CDOS).

Em declarações à agência Lusa, uma fonte do CDOS de Lisboa adiantou que entre as 00:00 e as 06:30 foram registadas mais de 300 ocorrências, sendo a maioria quedas de árvores e estruturas, mas também foram reportadas pequenas inundações, que não fizeram quaisquer vítimas.

"Registámos depois das 00:00 mais de 300 ocorrências que contaram com 1.200 operacionais, com o auxílio de 338 veículos. Entre estes operacionais estiveram envolvidos, bombeiros, PSP, GNR, veículos de reboque e assistência e Infraestruturas de Portugal", adiantou a mesma fonte.

De acordo com a fonte do CDOS de Lisboa, os pedidos de auxílio diziam respeito sobretudo a quedas de árvores e de estruturas como por exemplo placards.

"O estado do tempo acalmou bastante o que ajudou à diminuição do número de ocorrências. Contudo, estamos a prever que este número venha a aumentar com o nascer do dia, com a saída das pessoas para a rua. Nessa altura, vamos ter noção maior dos estragos também", disse.

A pior situação em Lisboa

A Avenida Elias Garcia foi um dos locais onde se registaram mais estragos, com dezenas de ramos de árvores caídos sobre as viaturas ali estacionadas.

O Regimento Sapadores Bombeiros de Lisboa registou mais de uma centena de ocorrências desde as 00:00 e até às 07:00, a maioria quedas de árvores e de estruturas, segundo uma fonte da corporação.

"Desde as 00:00 e até às 07:00 de hoje registámos 122 ocorrências, sendo que 51 são quedas de árvores e 25 quedas de infraestruturas", disse à Lusa uma fonte dos Sapadores.

De acordo com a mesma fonte, foram ainda registadas sete inundações em espaços privados e oito em espaços públicos.

"Não foram registados acidentes graves, nem feridos na sequência das ocorrências", disse a mesma fonte, acrescentando que os pedidos diminuíram entretanto devido à melhoria do estado do tempo.

Entre as 07:00 e as 10:15 de hoje, segundo a mesma fonte, houve registo de mais de uma dezena de quedas de árvores e de estruturas.

"Até ao momento [10:15] temos mais de uma dezena de ocorrências relacionadas com quedas de árvores e estruturas, bem como algumas inundações", explicou uma fonte dos Sapadores Bombeiros.

Três desalojados

No que diz respeito ao distrito do Porto, uma fonte do CDOS disse à Lusa que desde as 00:00 foram registadas mais de 200 ocorrências sobretudo de quedas de árvores e estruturas e pequenas inundações.

"Entretanto, ao longo da noite com a melhoria do estado do tempo diminui também o número de ocorrências", disse a mesma fonte, salientando "não ter havido registo de vítimas, nem casas desalojadas, nem situações de desalojados".

No entanto, mais tarde, fontes autárquicas e da Proteção Civil assumiram que os ventos fontes danificaram telhados de uma habitação de Santo Tirso e de outra de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, obrigando um total de cinco pessoas a pernoitar em alojamentos alternativos, disseram fontes autárquicas e da Proteção Civil.

Em Palmeira, Santo Tirso, um telhado em reparação ficou destruído pouco depois das 20:00 de domingo e as duas moradoras da casa, mãe (de 57 anos) e filha (de 32), tiveram de pernoitar em casa de familiares. Fonte da autarquia disse à agência Lusa que Ação Social Municipal vai contactar as duas mulheres, ainda hoje de manhã, no sentido de procurar uma solução.

Em Vila Nova de Gaia, o mau tempo fez dois desalojados na noite de domingo, devido ao aluimento do telhado da sua habitação, na travessa da Tranqueira, número 290, freguesia de Oliveira do Douro, disse fonte dos Sapadores Bombeiros. Acrescentou que o alerta foi dado às 20:23 de domingo e que as duas pessoas foram já realojadas.

Na própria cidade do Porto, o trânsito esteve cortado em parte da avenida Dom Carlos I por motivos de segurança "relacionados com a agitação marítima", segundo um comunicado da Proteção Civil Municipal.

Temperaturas baixaram devido a massa de ar frio

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tinha previsto que a partir das 03:00 a tempestade Ana começasse a perder intensidade e a dissipar-se.

"A depressão a que se deu o nome de Ana já se encontra sob França e a frente fria que lhe estava associada já passou todo o território do continente. A situação de chuva forte e vento forte que se registou no dia de ontem [domingo] já está ultrapassada", adiantou a especialista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

De acordo com Paula Leitão, Portugal continental está agora sob a influência de uma massa de ar frio.

"A temperatura já está a descer. Às 06:30 já se registavam -1 graus Celsius nas Penhas Douradas e perto de 0 graus na região de Trás-os-Montes. O céu já está com algumas abertas e ainda há aguaceiros, que serão de neve acima dos 800 metros de altitude", disse.

Segundo a meteorologista, os aguaceiros deverão diminuir de intensidade e frequência, prevendo-se para o final da tarde céu pouco nublado ou limpo.

Mais de 9.300 operacionais da Proteção Civil, incluindo bombeiros, elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica de Portugal (INEM) e Guarda Nacional Republicana (GNR), estão destacados desde o início de domingo por causa da passagem pelo continente da tempestade Ana.

A queda de uma árvore provocou uma vítima mortal, uma mulher de 45 anos, em Marco de Canavezes, no domingo.

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