Mais nove estrelas Michelin para a gastronomia nacional

Portugal ganhou duas novas classificações de duas estrelas - tem agora cinco restaurantes com tal distinção - do mais influente guia gastronómico mundial. Com uma estrela há já 16 espaços, sete dos quais premiados ontem

Noite histórica para Portugal, nove chefs viram o seu trabalho distinguido pelo Guia Michelin, com os restaurantes The Yeatman, em Vila Nova de Gaia, e Il Gallo d"Oro, na Madeira, a ascenderem às duas estrelas. Uma tal "honra" que o primeiro-ministro, António Costa, pela primeira vez, enviou uma mensagem de felicitações a Maité Carreño, responsável comercial do Guia Michelin para Portugal e Espanha.

"Passemos a Portugal. Alma, Henrique Sá Pessoa." Foi rápida a cerimónia que anunciou os chefs consagrados pela edição de 2017 do Guia Michelin para Portugal e Espanha, com o chef do restaurante Alma (Chiado) a abrir as hostilidades. Conhecidas as estrelas no país anfitrião, os portugueses foram chamados para vestir a jaleca do exclusivo clube dos chefs que integram este universo gastronómico que atrai visitantes de todo o mundo. Seguiram-se: Vítor Matos/Antiqvvm (Porto), Rui Paula/Boa Nova (Porto), Sergi Arola/Lab Penha Longa (Sintra), Miguel Lafan/L"And Vineyards (Montemor-o-Novo), Alexandre Silva/Loco (Lisboa) e Joachim Koerper/William (Madeira), todos com uma estrela.

Emoções ao rubro em Mas Marroch, um espaço dedicado a eventos em Vilablareix, às portas de Girona, dos irmãos Roca, três estrelas, anfitriões da festa. Apesar dos convites recebidos para estarem presentes - apenas Sergi Arola e Joachim Koerper não compareceram, os chefs asseguram que não sabiam dos resultados. "O convite era um bom prenúncio, mas até ao lavar dos cestos é a vindima e tudo podia acontecer", comentou Alexandre Silva, do Loco, apontado como um dos "prováveis vencedores", quando a organização do evento revelou, numa conferência de imprensa em Espanha, que Portugal iria "duplicar os resultados". As declarações de Maité Carreño não se confirmaram já que Portugal só somou 11 estrelas às 17 que tinha.

Sem voltar à contabilidade, antes de anunciar os vencedores, Maité Carreño comentou: "É um bom ano para Espanha, mas é um ano fantástico para Portugal e para a gastronomia portuguesa."

Conhecidos os nomes que integram a galáxia gastronómica com uma estrela - sete em Portugal e 15 em Espanha -, classificação que o guia aponta como "uma cozinha firme e que compensa uma paragem", foi a vez dos chefs cujos restaurantes representam "uma cozinha excecional e que merece um desvio": Benoît Sinthon, do Il Gallo d"Oro e Ricardo Costa, do The Yeatman. "Trabalhamos para isto, mas há oito anos que mantínhamos uma estrela. Há muito que julgávamos estar próximo deste objetivo", reconheceu Benoît Sinthon. Ricardo Costa também não escondia o contentamento.

A geografia das estrelas espalhou-se de norte a sul, e Madeira. Para os chefs, o Guia Michelin para além do aumento da procura e da visibilidade traz o reconhecimento internacional. "É o que acaba por acontecer, ficamos debaixo dos holofotes, o guia tem esse poder de mobilizar pessoas", diz Henrique Sá Pessoa.

As expectativas agora recaem sobre a próxima edição do Guia Michelin e Lisboa está na mira da organização. "Estamos a estudar essa possibilidade e é algo que queríamos muito. Portugal está a evoluir, tem muito talento e esta edição demonstrou que vai continuar a dar que falar. Estamos atentos e queremos que o evento aconteça em Lisboa", disse ao DN o diretor de comunicação do Guia Michelin, Ángel Pardo.

Se ganhar é alcançar um sonho, recuperar uma estrela é "indescritível". Miguel Lafan experimentou todas as emoções e era visível o quanto desejava alcançar esta meta. "Quando não se tem a estrela somos um espírito livre movidos por essa ambição, quando se obtém e se perde, passamos para um trapézio sem rede. É preciso não se deixar afetar por toda a pressão e não ir abaixo. Durante o processo, fomos visitados quatro ou cinco vezes e percebemos que estávamos no bom caminho."

Jornalista viajou a convite do Guia Michelin

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