Mais de 30% das portuguesas têm sintomas depressivos

Em todos os países estudados, as mulheres reportaram mais sintomas de depressão do que os homens, mas Portugal tem uma das diferenças mais elevadas

São mais de 30% as mulheres portuguesas que reportam sintomas depressivos, a maior percentagem registada num estudo europeu que avaliou 21 países; nos homens, por outro lado, a percentagem é menor do que 16%. Portugal apresenta assim uma das maiores discrepâncias entre as mulheres e os homens que reportam sintomas de depressão.

"Em todos os países estudados, as mulheres reportaram mais sintomas de depressão do que os homens", refere o estudo "European Social Survey", mas as maiores diferenças foram registadas em Portugal, na Polónia, Espanha e Alemanha.

Este inquérito europeu sobre a saúde física e mental avaliou a perceção do estado da saúde em geral, onde também a percentagem de mulheres que consideram as suas condições de saúde como más e muito más é superior à dos homens.

As mulheres espanholas foram as que mais consideraram as suas condições de saúde como más e muito más, seguidas pelas mulheres húngaras. Os valores mais baixos correspondem aos homens irlandeses e aos homens suíços.

O estudo tentou ainda avaliar como são analisadas ou explicadas as desigualdades na saúde.

Em Portugal, as desigualdades são sobretudo explicadas por fatores referentes às condições de habitação, seguindo-se os fatores ocupacionais (como a situação laboral) e comportamentais (hábitos tabágicos, consumo de álcool ou atividade física).

Aliás, em todo o estudo se verificou que as desigualdades na saúde são menos explicadas por fatores comportamentais e mais por fatores ocupacionais e pelas condições de habitação.

O "European Social Survey" , feito com base em dados recolhidos em 2014 e 2015, conclui que a promoção de estilos de vida saudáveis por si só não é suficiente para reduzir problemas de saúde, devendo a estratégia passar por melhorar as condições físicas de trabalho e melhorar as políticas de distribuição do rendimento.

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