Mais ciclovias e veículos elétricos: as cidades europeias preparam o futuro

Experiências multiplicam-se, com mais apostas nas energias limpas, na mobilidade urbana eficaz e amiga do ambiente, e com a transformação do betão em novas zonas verdes, para usufruto dos cidadãos

Copenhaga, a capital da Dinamarca, tornou-se há dias a capital da bicicleta, também. Mostram-no as contas da câmara municipal local, que monitoriza o trânsito na cidade, contabilizando o número de veículos que ali circulam diariamente. Neste momento há 265 700 bicicletas nas ruas de Copenhaga, contra 252 600 automóveis: as primeiras batem os segundos por uma confortável diferença de 13 100. É o reino da Dinamarca.

A tendência observa-se também noutras cidades europeias, que procuram os caminhos da sustentabilidade. A melhoria da qualidade de vida dos cidadãos impõe-no, mas a escolha de políticas urbanas amigas do ambiente, para a redução das emissões de gases com efeito estufa que este tipo de políticas procura, é imprescindível para que os países, as suas regiões e as suas cidades cumpram as metas do Acordo de Paris para combater as alterações climáticas. Eis algumas das experiências que estão a ser feitas em cidades europeias.

COPENHAGA

Haver mais bicicletas do que carros a circular nas ruas da capital dinamarquesa é uma marca impressiva, que a câmara local anunciou no final do mês passado, mas esta espécie de lição ambiental em mobilidade urbana e de aposta no futuro sustentável não aconteceu do pé para a mão. É certo que a Dinamarca é o país das bicicletas, mas esta mudança de paradigma fez-se sobretudo com políticas de incentivo de utilização daquele transporte individual, que tem a grande vantagem de ser limpo em termos de emissões.

Em 1970, circulavam em Copenhaga 351 mil carros, contra cem mil bicicletas, mas nas duas últimas décadas assistiu-se a um gigantesco aumento destas, da ordem dos 68%.Mais recentemente houve uma aceleração desta tendência, que resultou agora na inversão de grandezas entre os dois tipos de veículos.

"Deslocar-se de bicicleta passou de ser uma parte normal do dia-a-dia a núcleo identitário desta cidade", explica Klaus Bondam, atual presidente da federação dinamarquesa do ciclotransporte e técnico municipal para a área do ambiente da anterior presidente da Câmara de Amesterdão, Ritt Bjerregaard, que esteve no cargo entre 2006 e 2010 e investiu em novas ciclovias e pontes pedestres na capital.

A política de Bjerregaard deu frutos na mobilidade na capital, criando condições para que o uso da bicicleta crescesse mais ainda. O seu sucessor, Frank Jensen, tem prosseguido a mesma política de mobilidade e os resultados estão agora à vista.

AMESTERDÃO

A "bela Veneza da Holanda" já estabeleceu planos - e criou fundos - para reduzir as suas emissões tanto na área dos transportes como na do aquecimento. É neste último ponto, sobretudo, que a cidade procura as metas mais ambiciosas porque Amesterdão, com os seus canais, que facilitam naturalmente a mobilidade, e as suas muitas bicicletas que a percorrem, precisa de reconfigurar a forma como gera aquecimento no inverno, que nesta altura depende a 90% do gás natural, e que gera cerca de 30% das suas emissões. Neste ponto, a meta estabelecida pela autarquia é deixar de usar gás natural em 2050, substituindo-o por outras alternativas, como a queima centralizada de resíduos, o que, segundo as autoridades locais, produz menos emissões do que a queima do gás natural em cada uma das habitações da cidade. Na prática, esta solução já está a ser experimentada em cerca de 70 mil casas da cidade. Elas são aquecidas através de tubagens por onde corre água aquecida pela queima de resíduos que é feita na incineradora central que serve Amesterdão. A instalação de tubagens deste tipo em mais dez mil habitações no próximo ano é o plano imediato, que se estenderá depois progressivamente às outras zonas da malha urbana.

OSLO

A capital da Noruega aponta alto: as autoridades locais anunciaram que pretendem reduzir em 50%, nos próximos quatro anos, as suas emissões de gases com efeito estufa, face aos valores de 1990. A concretizar-se, essa será a maior mudança a este nível vivida por uma cidade, colocando Oslo no cumprimento do limite de aumento da temperatura global de 1,5 graus estabelecido no Acordo de Paris, que foi aprovado na cimeira do clima do ano passado.

A estratégia já está a ser aplicada. Desde o ano passado que a circulação automóvel está restringida, com os carros banidos do centro. Mas as autoridades vão alargar também a rede de ciclovias e dar incentivos a veículos elétricos. A energia que abastece Oslo provém maioritariamente de fontes hídricas e as autoridades pretendem aumentar a proporção de energias limpas investindo noutras alternativas, que estão a ser estudadas.

ESTOCOLMO

A capital da Suécia foi a primeira cidade a ser nomeada European Green Capital (Capital Europeia Verde), em 2010. Por muitos motivos: reduziu a poluição sonora, criou um sistema integrado de tratamento de resíduos extremamente eficaz e 95% dos seus habitantes vivem a menos de 300 metros de uma zona verde. Mas há mais: 80% do aquecimento na cidade é feito por energia de fontes renováveis e todos os novos edifícios têm de ser energeticamente sustentáveis.

PARIS

A Cidade Luz, que viveu há duas semanas o pior episódio de poluição atmosférica da última década, devido a uma combinação do trânsito rodoviário com condições meteorológicas que mantiveram a poluição sobre a região, planeia uma medida radical: cortar definitivamente o trânsito automóvel num percurso de 3,3 quilómetros junto ao Sena, na zona do Louvre Tulherias, onde circulam por dia 43 mil carros. A ideia é substituir o betão que ali existe por zonas verdes, que devolvam aquela zona de Paris aos cidadãos.

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