Mãe reencontra filha 18 anos depois de lhe ter sido roubada

A luta de Celeste para reencontrar Zephany, que teve consigo apenas três dias, fascinou um país inteiro

Celeste Nurse passou 18 anos à procura da filha que lhe foi roubada no hospital quando tinha apenas três dias. Agora, a mulher que lha roubou está a ser julgada na Cidade do Cabo por rapto e fraude, num caso que consumiu os media da África do Sul ao longo de mais de uma década. Mas Celeste nunca teria encontrado a filha se não fosse uma grande coincidência.

O caso de Celeste Nurse, cuja filha nasceu em 1997, chamou atenção nacional na África do Sul em parte por causa do nome bíblico da bebé: Zephany, que em hebraico significa "o Senhor está escondido". O nome, considerado quase profético pelo desaparecimento súbito da criança, dominou os jornais durante anos, visto que Celeste e o seu marido Morné Nurse, que se conheceram ainda em adolescentes e tiveram mais três filhos juntos, nunca deixaram de apelar publicamente pela devolução da sua filha. Agora que o julgamento a opor as duas mães - uma acusada de roubar o bebé da outra - já começou, o jornal norte-americano Washington Post contou a história do princípio ao fim.

Foi pouco depois do parto, quando Celeste ainda estava a ser anestesiada para lidar com a dor da cesariana três dias antes, que Zephany desapareceu. Uma mulher vestida de enfermeira aproximou-se de Celeste e pediu para pegar na criança, que chorava. Celeste foi acordada aos abanões por uma outra enfermeira que lhe perguntava: "Onde está a sua filha?"

Não havia videovigilância nem outro tipo de segurança no hospital, e a menina permaneceria desaparecida durante 18 anos. Em tribunal, Morné, o pai de Zephany, contou esta terça-feira: "Chorei desesperadamente, na posição fetal".

Ao longo dos anos que passaram, o casal continuou a comemorar o aniversário da filha, e tiveram mais três filhos, incluindo uma menina chamada Cassidy, três anos mais nova do que Zephany. Sem saber, Cassidy seria a chave para a descoberta da irmã desaparecida.

A coincidência que foi a chave do reencontro

Quando Cassidy entrou para o liceu, começou a ouvir falar da sua sósia - uma rapariga do último ano que era muito parecida com ela. As duas rapidamente ficaram próximas, mas Morné ficou desconfiado quando a filha lhe falou da sua nova amiga, e pediu para a conhecer. "Não queria assustá-la, queria protegê-la a todo o custo", contou Morné Nurse em tribunal. "Fui ao Facebook e vi mais informações. Vi fotografias dela e era igual aos meus filhos".

Morné acabou por levar as provas que tinha à polícia. Tirou-se ADN à menina e concluiu-se que sim, era a Zephany - no final de fevereiro de 2015, a rapariga tinha sido encontrada, com outro nome, a ser criada por uma família que vivia a menos de dois quilómetros de Celeste e Morné.

No dia 26 de fevereiro, Celeste reencontrou a filha. "Quando ela chegou eu não conseguia parar de chorar. E finalmente disse: 'Encontrei-te. Procurei-te durante 17 anos e finalmente encontrei-te. És minha de novo". No dia seguinte, a mulher acusada de raptar Zephany foi detida, e está agora a ser julgada na Cidade do Cabo.

A costureira de 51 anos foi acusada de rapto e fraude por falsificar a identidade de Zephany, que criou como sua. Afirma estar inocente, e diz que a criança lhe foi entregue por outra mulher que lhe contou que era uma menina indesejada, a precisar de uma família. "Lembro-me de estar com ela a penteá-la e a dar-lhe banho e perguntar-me quem seriam os seus pais e porque não a queriam", explica a acusada num documento entregue ao tribunal em que explica a sua inocência.

O julgamento da alegada raptora continua na Cidade do Cabo. Entretanto Zephany, agora com quase 19 anos, descobriu uma nova identidade.

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