Lisboa reduz emissões de C02 para metade em 12 anos

Objetivos assinalados para 2020 já foram ultrapassados, diz vereador da Energia da Câmara de Lisboa

As emissões de dióxido de carbono (C02) e os consumos de energia primária no concelho de Lisboa diminuíram 50% e 35%, respetivamente, entre 2002 e 2014, divulgou hoje a Câmara Municipal, salientando ainda não estar satisfeita com os resultados.

"Tem muito a ver com a política energética do país, mas, de facto, a própria cidade também fez o seu esforço", disse à agência Lusa o vereador da Energia do município, José Sá Fernandes.

O autarca aludia aos resultados do estudo apresentado nos Paços do Concelho - feito pela autarquia, pelo Instituto Superior Técnico e pela agência municipal de energia e ambiente Lisboa E-Nova - sobre os consumos energéticos na cidade desde 2002, ano em que Lisboa assinou o Pacto dos Autarcas (movimento europeu que envolve autarquias empenhadas e aumentar a eficiência energética).

De acordo com o mesmo estudo, intitulado "Matriz energética de Lisboa", as emissões de C02 passaram de 3.887 quilotoneladas (kton) em 2002 para metade, 1.934 kton, em 2014.

"Nós tínhamos objetivos assinalados para 2020 [como uma redução de 20% nas emissões] e já os atingimos e ultrapassámos largamente", assinalou Sá Fernandes.

O documento, divulgado no âmbito da Semana Europeia da Energia Sustentável, revela também que houve uma redução de 35% dos consumos de energia primária no concelho de Lisboa durante este período.

Aqui, inserem-se as diminuições no consumo de gasolina (69%), de gasóleo (43%) e de eletricidade (23%). Inclui-se ainda o consumo de gás natural, que aumentou 28%.

De acordo com o autarca, as políticas municipais também contribuíram para obter estes resultados.

"Os próprios consumos da Câmara diminuíram todos bastante, quer na água, quer na eletricidade e quer no gasóleo", sublinhou o responsável, falando em reduções na ordem dos 30%, 23% e 37%, respetivamente, entre 2008 e 2015.

Em 2014, a Câmara foi responsável por 2,7% do total dos consumos do concelho e emitiu 2,4% das emissões da cidade.

Sá Fernandes prometeu que as melhorias não ficam por aqui: "Eu nunca estou satisfeito, eu quero mais. E é possível, não é irrisório".

Para isso, enumerou medidas como a aplicação da tecnologia LED à iluminação pública, o acréscimo da produção elétrica de origem fotovoltaica, a reabilitação dos edifícios e a sua certificação. Apenas o edifício municipal do Campo Grande está certificado, estando outros processos em curso.

No âmbito dos transportes, defendeu a continuação da aposta em viaturas elétricas para a frota municipal e a passagem para a autarquia da gestão da rodoviária Carris e do Metropolitano de Lisboa, que, a seu ver, "vai ser absolutamente decisiva para melhorar as performances ambientais".

Outra das apostas será a reutilização da água residual, tanto para a lavagem das ruas (em 2014, foram reutilizados mais de 23 mil metros cúbicos) como para a rega de espaços públicos, que pode ter um uso potencial de 320 mil metros cúbicos por ano.

Para que a rega possa ser feita com água tratada, o município está a "finalizar os estudos" para garantir a qualidade da água e só avança quando estiver "100% segura", adiantou José Sá Fernandes.

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