Lisboa combate inundações com plano de 180 milhões de euros

Concurso para a construção de dois túneis entre Santa Apolónia e Monsanto e entre Chelas e Beato já arrancou. Orçamento da capital para o próximo ano é de 833,4 milhões de euros

Adaptar Lisboa “às alterações climáticas e à prevenção de catástrofes, nomeadamente para minimizar o efeito de cheias”. São estes os objetivos do Plano Geral de Drenagem da capital, projeto que está inscrito no Orçamento para 2018 do município e que representa um dos maiores investimentos da autarquia.

Orçado em cerca de 180 milhões de euros, o início da sua execução estava previsto para 2016, mas tal só vai acontecer em 2018, com um investimento inicial de 34,5 milhões de euros. As obras devem terminar em 2030. Na primeira fase - o concurso público foi lançado este mês e tem o valor de 112 milhões de euros, “o maior concurso da história da Câmara de Lisboa”, segundo o vereador das Finanças, João Paulo Saraiva -, está prevista a construção de dois túneis: entre Santa Apolónia e Monsanto e entre Chelas e o Beato. Está ainda projetado um coletor entre as avenidas de Berlim e Infante D. Henrique.

O valor global do orçamento de Lisboa para o próximo ano é de 833,4 milhões de euros, mais 58,3 milhões do que este ano. O documento ontem apresentado será discutido em reunião de câmara dia 14 de dezembro, seguindo depois para análise e votação na assembleia municipal.

No top das cheias e derrocadas

José Luís Zêzere, coordenador da base de dados Disaster, que regista derrocadas e cheias desde 1965 em todos os concelhos do país e que assinalou Lisboa como o concelho que teve mais ocorrências de cheias e derrocadas nos últimos 150 anos, recebeu com satisfação a notícia de que o município vai avançar com um projeto de combate às cheias. “Faz muita falta um plano de gestão de drenagens. Nos últimos anos, em que tem chovido mais, temos tido problemas sérios de inundações urbanas”, sublinha o geógrafo do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa.

“A informação que temos de alterações climáticas mostra-nos que apesar de a quantidade de chuva decrescer, a possibilidade de eventos extremos, como cheias, aumenta. Isso deve-se à temperatura da água do mar e da atmosfera estarem mais elevadas.”

Mesmo tendo presentes os benefícios, José Luís Zêzere antecipa que a execução do Plano não estará isenta de dificuldades ou obstáculos. “As intervenções na rede de drenagem dentro das cidades são difíceis, causam transtorno aos seus moradores. Não é fácil tomar decisões do ponto de vista do ordenamento.”

A execução do Plano Geral de Drenagem é uma das grandes opções estratégicas do Orçamento e inscreve-se nas áreas que têm por objetivo criar “uma cidade sustentável e de bem‐estar, que aposta na permanente melhoria do ambiente urbano e da qualidade de vida”.

São as áreas do Eixo A, que vão desde “a habitação ao transporte e mobilidade, aos espaços verdes e limpeza urbana, melhoria de sistemas de tratamento de resíduos e às estratégias para tornar Lisboa mais segura e mais preparada para o futuro”, explica o documento. O total de investimento neste eixo é de 382,4 milhões de euros e quase metade (180 milhões) vai para o Plano Geral de Drenagem.

O Eixo B das opções estratégicas é “A promoção do Direitos Sociais” com um total de 62,6 milhões de euros para programas de inclusão e para o apoio à educação. O Eixo C “Dar força à economia da cidade” é onde estão áreas de atividade e criação de emprego, num total de 37,1 milhões de euros. No Eixo D “Afirmar Lisboa como Cidade Global” estão programas cosmopolitas num total de 42,2 milhões de euros.

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