Lentes de contacto com internet e download de memórias? Feedzai mostra o futuro

Tecnológica portuguesa Feedzai organizou a conferência "AI Deep Dive" durante a Money 20/20 em Las Vegas

"No futuro, você vai piscar os olhos e estará imediatamente online", afirmou o futurista Michio Kaku. "As lentes de contacto vão reconhecer as caras das pessoas. Você vai ver as suas biografias ao lado das caras." Este futuro hiperconectado, que parece um cenário de ficção científica, foi descrito pelo visionário Michio Kaku durante a conferência "AI Deep Dive", organizada pela Feedzai em Las Vegas, no âmbito do evento Money 20/20. A intenção da tecnológica portuguesa não foi vender nenhuma das suas soluções de inteligência artificial antifraude para o sistema financeiro. O que a Feedzai quis foi juntar especialistas e visionários a debater algumas das questões mais profundas que a inteligência artificial levanta. Conseguiu juntar na conferência Steve Wozniak, cofundador da Apple, Ray Kurzweil, inventor que está a trabalhar na Google, Matt Wood, diretor de IA na Amazon Web Services, e vários outros nomes grandes do setor, como Kaku. Nuno Sebastião, CEO da Feedzai, disse ao DN que esperavam cerca de 700 pessoas. Apareceram 3500 e foi preciso abrir duas salas extra para acolher o fluxo de participantes.

A apresentação de Michio Kaku foi simultaneamente a mais inspiradora e assustadora. O físico, autor de livros que projetam o futuro da humanidade nos próximos cem anos, diz que a quarta geração de criação de riqueza é composta pela inteligência artificial, a biotecnologia e a nanotecnologia. "Estaremos rodeados de ecrãs de parede a 360º que terão inteligência artificial. Você poderá falar com a parede e receber respostas", disse Kaku. Teremos robôs médicos e robôs advogados dentro dos relógios inteligentes e faremos as coisas de forma mais eficiente e com menos custos. "Vamos digitalizar o corpo humano", vaticinou, dizendo que as biópsias digitais do futuro eliminarão o conceito de tumor. Em última análise, iremos fazer download e upload de memórias, algo que pode resolver o efeito de doenças como o Alzheimer. "A telepatia sintética é uma possibilidade real."

Uma das partes mais interessantes da apresentação foi a resposta à pergunta omnipresente sobre a quarta revolução industrial: quais os empregos que serão dizimados e quais os que se manterão? "Todas as revoluções têm vitoriosos e perdedores", anunciou. "Os perdedores serão os trabalhadores que fazem trabalhos repetitivos e aqueles que funcionam como intermediários." Do outro lado, estima, serão valorizados os que fazem um trabalho de "capitalismo intelectual", isto é, empregos que envolvem análise, experiência, inovação, liderança, talento e imaginação. Curiosamente, há alguns trabalhos que Kaku não acredita poderem ser substituídos, como o dos jardineiros ou da recolha do lixo: os robôs são péssimos nestas tarefas.

O futurista acredita que chegaremos ao "capitalismo perfeito", em que o equilíbrio entre oferta e procura será total porque a digitalização tornará tudo transparente. Haverá um "conhecimento infinito" sobre os produtos, a sua origem, a sua composição e os interesses por detrás.

Kaku passou também pela inevitável dicotomia entre aqueles que são superotimistas quanto ao potencial da inteligência artificial, como o CEO do Facebook Mark Zuckerberg, e os que avisam para os perigos que a humanidade corre, caso do CEO da SpaceX e Tesla, Elon Musk. "No longo prazo, estes robôs podem tornar-se perigosos", reconheceu. "O ponto de inflexão será quando os robôs tiverem consciência de si mesmos", algo que poderá acontecer no final deste século.

Mas o futurista terminou explicando qual a diferença entre a espécie humana, os animais e os robôs, algo que nos torna únicos: "O que separa a consciência humana dos animais é o tempo. Os animais não podem compreender o conceito do amanhã, vivem no presente", explicou. "Somos máquinas de previsão, estamos sempre a prever o futuro. É para isso que o cérebro serve." E, até ver, nenhum robô consegue fazer isso da forma que nós conseguimos - salvo nos filmes catastrofistas de Hollywood.

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