Judiciária intercetou veleiro com 400 quilos de cocaína

Operação Marinha e Força Aérea ajudaram. Italiano e montenegrino foram detidos

Um italiano, com 58 anos, e um montenegrino, com 45, foram detidos pela Polícia Judiciária ao largo dos Açores a bordo de um veleiro que transportava 400 quilos de cocaína vinda da América do Sul. Os dois homens, não estavam armados nem ofereceram resistência. O veleiro com origem nas Caraíbas foi abordado no Oceano Atlântico, a 600 milhas náuticas (cerca de 1100 quilómetros) a sul dos Açores, na madrugada do passado sábado, numa operação que envolveu a PJ, a Força Aérea (FAP) e a Marinha portuguesas.

De acordo com a PJ, a droga "em elevado estado de pureza" estava dissimulado em três camarotes, por debaixo das camas e dentro dos roupeiros do veleiro, que navegava com bandeira italiana.

Os dois tripulantes detidos são suspeitos de integrar uma rede transnacional de tráfico de estupefacientes, implantada em vários países europeus e da América Latina, e um deles até tem antecedentes por tráfico.

"A cocaína ia entrar pela costa portuguesa, uma parte vinha para Portugal mas o destino final eram vários países europeus", precisou ao DN a coordenadora de investigação criminal Rosa Mota, da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da Judiciária.

A droga foi produzida na América do Sul e Portugal era uma rota de trânsito para a organização transnacional.

Esta operação foi possível devido à troca de informações da PJ com as polícias britânica e italiana no quadro da agência Maritime Analysis and Operations Centre - Narcotics (MAOC-N), uma instituição policial internacional com sede em Lisboa. "É uma agência que faz partilha de informação sobre tráfico marítimo internacional. Integra oficiais de ligação e vários países", explicou Rosa Mota. Que acrescentou ter a Judiciária iniciado a investigação há um mês na tentativa de perceber as movimentações da rede a que pertenceriam os dois homens detidos na costa portuguesa.

O porta-voz da Força Aérea Portuguesa, tenente-coronel Bernardo da Costa, explicou à Lusa que "a monitorização do veleiro decorreu durante uma semana, com meios aéreos, o que permitiu que a monitorização fosse feita a grande altitude, sem que os tripulantes se apercebessem". Os dois homens ficaram em prisão preventiva, na cadeia anexa à sede da PJ.

Segundo o Relatório Mundial das Drogas 2017, a produção de heroína e cocaína voltou a aumentar, o que teve consequências no mercado europeu. A expansão europeia da droga que chega a Portugal é feita por redes criminosas sofisticadas.