Jovens recebem bolsa para tratar a cegueira e solos contaminados

Fundação Calouste Gulbenkian entrega bolsa de estímulo à investigação para jovens com menos de 26 anos

João Calmeiro e João Vareda, investigadores da Universidade de Coimbra, foram distinguidos pela Fundação Calouste Gulbenkian, com Bolsas de Estímulo à Investigação no valor de 12.500 euros cada. O primeiro desenvolve um trabalho que pretende curar a cegueira, o segundo quer tratar solos contaminados com metais pesados. Os prémios destinam-se a investigadores com idade inferior a 26 anos e vão ser entregues no dia 9 de março.

João Calmeiro faz investigação no Centro de Neurociências e Biologia Celular. O trabalho recai sobre uma proteína - a canalrodopsina-2 - que poderá ser utilizada como ferramenta contra a cegueira causada por degeneração da retina, uma doença que afeta mundialmente mais de 15 milhões de pessoas.

"A nossa investigação procura dar capacidade de resposta à luz aos neurónios da retina que não têm essa capacidade naturalmente. O projeto visa alterar as propriedades de absorção de luz da proteína "canalrodopsina-2", que naturalmente responde apenas à luz de cor azul, e criar novas variantes que absorvem e respondem à luz de outras cores", o jovem investigado, que diz ser "um enorme orgulho receber este prémio de uma instituição tão prestigiada".

João Calmeiro, investigador no Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra

Tratar dos solos

A investigação de João Vareda, desenvolvida no Centro de Investigação dos Processos Químicos e Produtos da Floresta da Faculdade de Ciências e Tecnologia, aposta no desenvolvimento de um aerogel à base de sílica para tratar os solos contaminados com metais pesados.

O que se pretende é "gerar um novo aerogel que seja capaz de remover dos solos um conjunto de seis metais pesados em simultâneo, nomeadamente cádmio, chumbo, zinco, níquel, cobre e crómio"", adianta João Varela, salientando que estes metais pesados "são os que mais poluem os solos ibéricos".

João Vareda, do Centro de Investigação dos Processos Químicos e Produtos da Floresta da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

O jovem investigador explica que "têm origem na poluição atmosférica e na atividade humana e podem ser arrastados pela água das chuvas, sendo este problema ambiental mais relevante quando se trata de solos agrícolas".

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