Jesuítas iniciam etapa dos murmúrios para eleger líder

Estão proibidos elogios ou críticas particulares por serem considerados campanha eleitoral. É permitido responder a pedido de informações. Dois padres representam Portugal

A Companhia de Jesus está reunida em Roma para eleger o seu superior hierárquico e refletir sobre os novos desafios da comunidade. Uma espécie de conclave com características semelhantes à da nomeação do Papa, aliás estes são os únicos cargos vitalícios da Igreja, apenas admitindo a resignação pelos próprios. A escolha é entre os 215 padres que se encontram no Vaticano, representando 62 países.

Os padres José Frazão Correia e Miguel Almeida (preside ao Colégio Académico de Braga) são os representantes portugueses. Desde domingo, dia em que se realizou a missa de abertura, estão em jornada de reflexão sobre quem os irá representar. Uma escolha que não admite apelo ao voto e cujas conversações são apelidadas de "etapa dos murmúrios", quatro dias de conversas individuais. Antes, nos primeiros dois dias, agendaram as reuniões e apresentaram os dossiers das várias comunidades espalhadas pelos cinco continentes.

Na eleição, os 215 jesuítas podem pedir informações sobre em quem pensam votar, o que fazem de forma confidencial e falando baixinho. Estão proibidos os elogios ou as críticas particulares por serem considerados campanha eleitoral. E quem obtiver no mínimo 108 votos (50% mais um) será o novo secretário-geral, o que deverá acontecer ainda neste mês. Seguir-se-á a discussão sobre a missão da Companhia de Jesus no contexto mundial e a sua organização interna de forma a responder aos novos desafios, trabalhos para os quais não há uma data-limite.

"É sempre importante a congregação geral para cada província. É daí que surgem as orientações e os mecanismos de colaboração entre as várias províncias e tudo isso tem influência nos jesuítas em Portugal. Nos últimos anos, tem havido uma grande reorganização, em que nós também estamos inseridos", explicou ao DN o padre José Maria Brito, do gabinete de comunicação português. E deu o exemplo do Colégio Académico de Braga, em que é administrado o magistério para a formação de padres, cuja transição para Roma está em estudo.

O novo secretário-geral, o 31.º , irá suceder a Adolfo Nicolás, de 80 anos, que há um ano manifestou vontade de renunciar ao cargo e convocou uma congregação geral, a 36.ª (CG 36). Considerou que esta reunião magna será diferente das anteriores, desde logo porque os tempos mudaram. "A Companhia de Jesus sabe que necessita de ousadia, imaginação e coragem para fazer frente à nossa missão como parte da grande missão de Deus diante do nosso mundo", disse. Nesta segunda-feira, confirmou a resignação, momento a partir do qual deixou a liderança. O padre James Grummer , vigário-geral, assumiu essa responsabilidade.

Preparativos para a eleição

Antes da fase dos murmúrios os eleitores foram divididos por grupos, constituídos por dez delegações cada. Uns estudam os relatórios das várias comunidades para que possa ser feito um retrato atual da Companhia de Jesus e outros analisam os aspetos mais específicos da organização interna. "Para favorecer o conhecimento mútuo e para ajudar os eleitores a identificar qual é o jesuíta que se encontra em melhores condições para ser o próximo secretário-geral", informa a organização deste encontro de jesuítas.

O padre Nicolás é o 30.º superior geral da Companhia de Jesus. Foi eleito pela CG 35 em 2008. Nasceu em Espanha e ingressou na Companhia de Jesus em 1953. Antes da sua eleição, liderou jesuítas do Japão e foi presidente da Conferência dos Provinciais Jesuítas na Ásia Oriental e Oceânia. Foi o mais velho padre geral a ser eleito.

A eleição foi preparada por uma comissão de 14 membros, designados pelo superior geral. Esta foi constituída há um ano com um duplo objetivo: examinar as sugestões e perguntas das províncias e preparar um relatório preliminar daquele que é o encontro mais importante dos jesuítas.

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