Japão e Equador buscam sobreviventes. Sismos não estão ligados

Número de mortos no Equador revisto para 413. Com poucos dias e horas de diferença a terra tremeu dos dois lados do Pacífico, mas os cientistas dizem que não há relação

O Equador e o Japão, atingidos nos últimos dias por violentos sismos (de 7,8, 6,4 e 7,3 na escala de Richter, os dois últimos, no Japão), continuam a sentir réplicas, que assustam as populações e dificultam ainda mais a ação das equipas de socorro, que prosseguem as operações de busca para tentar encontrar sobreviventes sob os escombros dos edifícios que desabaram. No entanto, a ocorrência, com poucas horas de diferença, dos violentos sismos em países que distam quase 15 mil quilómetros entre si é uma coincidência. Não há ligação entre eles, dizem os cientistas.

Coincidiram no tempo, com poucos dias (o primeiro do Japão) e poucas horas (o segundo) de diferença, mas os sismos que abalaram o sul do Japão e atingiram uma vasta região costeira do Equador não têm nenhuma ligação entre si, garantem os geofísicos.

É certo que os sismos muito fortes podem desencadear outros na mesma região, ou na mesma geografia sísmica (ao longo de uma falha, por exemplo), mas do Equador ao Japão há quase 15 mil quilómetros de distância - e nenhuma conexão desse tipo.

Já o segundo grande sismo de sábado no Japão poderá ter acontecido na sequência das réplicas que se sucederam ao primeiro, na quinta-feira.

Número de vítimas aumenta

No Equador o número de vítimas mortais continua, entretanto a aumentar, e ascendia ontem a 413, segundo as autoridades do país, que estão numa corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes por entre as ruínas dos edifícios.

O terramoto, ocorrido no último sábado, ao cair da noite, teve o epicentro próximo de Muisne, na costa do Pacífico e afetou várias cidades do litoral. Numa delas, Chamanga, 90% dos edifícios estão destruídos, ou parcialmente danificados e, na região, existem agora estradas intransitáveis e pontes que foram abaixo. Há ainda quase três mil feridos e as autoridades estimam que cerca de cem mil pessoas estão nesta altura a necessitar de algum tipo de assistência.

As réplicas, que persistem, são outra dor de cabeça. Até ontem, pelo menos 250 já tinham sido registadas pelo instituto de geofísica do país. Algumas delas são de grande intensidade, da ordem dos seis graus na escala de Richter.

No Japão vive-se igualmente o rescaldo dos dois violentos sismos que atingiram o país, o primeiro na quinta-feira, e o segundo na madrugada de sábado, na região de Kumamoto, no Sul.

A sequência dos dois violentos sismos com poucos dias de intervalo e as réplicas, algumas delas bem fortes, que continuavam ainda ontem a registar-se, causaram o colapso de centenas de edifícios e deslizamentos de terras na região de Kumamoto, e deixaram 35 mil casas sem eletricidade e outras 250 mil sem água, entre outros danos materiais.

O número de vítimas mortais destes dois sismos no Japão ascendia ontem a 42, a maioria na localidade de Mashiki (prefeitura de Kumamoto), enquanto outras nove pessoas continuavam desaparecidas, segundo as autoridades locais.

As operações de busca e resgate prosseguiam ontem também a ritmo intenso, com as equipas reforçadas, que tentavam ainda encontrar sobreviventes sob as ruínas.

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