Já se aposta online em Portugal. "É a liberdade", dizem jogadores

Quase um ano após a aprovação da lei que permite a legalização das casas de apostas desportivas na internet foi emitida a primeira licença: à Betclic. Há mais pedidos em análise

"Este é um dia marcante. É a liberdade. Quem quiser jogar agora pode fazê-lo no seu país, no sítio que quiser". João Nunes não esconde a satisfação pela confirmação da notícia esperada há quase um ano pelos jogadores que usavam a internet para fazer apostas: desde ontem é possível o registo num site legal em Portugal e apostar em resultados desportivos de várias modalidades.

O primeiro site autorizado pelas autoridades nacionais foi o da Betclic, que pertence à Bem Operations Limited, uma empresa registada em Malta. Na sua página - passou ontem a ser a única de apostas online com autorização de acesso a utilizadores com origem em Portugal - é explicado que é titular da licença de jogo n.º 001 emitida pelo SRIJ - Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos. Por esta licença válida por três anos a empresa pagou 12 mil euros, pois é essa a verba prevista no Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online, aprovado a 29 de abril do ano passado, tendo entrado em vigor a 28 de junho. Já a homologação do sistema técnico de jogo custou à Betclic 18 mil euros. Ou seja, a empresa já pagou 30 mil euros para poder abrir o site.

Para o vice-presidente da Associação Nacional dos Apostadores Online o anúncio do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos do Turismo de Portugal de que tinha sido emitida ontem a primeira licença para a "exploração de apostas desportivas à cota online em Portugal" só peca por ter demorado muito tempo. "Estávamos à espera há 11 meses. Até tínhamos dúvidas sobre quando ia acontecer", disse ao DN.

Segundo João Nunes este "pontapé de saída da Betclic" é um bom sinal, mas faltam agora outras empresas no mercado. "A concorrência é boa. Agora é esperar pela chegada dos outros operadores", sublinhou. Já a empresa, contactada por email pelo DN, não respondeu às questões enviadas.

O anúncio da emissão da primeira licença foi feito num comunicado divulgado no site do SRIJ. Sem divulgar o nome da casa de apostas que recebeu a primeira autorização, a instituição lembra que este é o fim de um processo que se iniciou em junho do ano passado com a aprovação do Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online - sendo que desde 2003 se equacionava a emissão de licenças. Esta será a primeira, mas rapidamente vão surgir outras pois, como disse ao DN fonte do SRIJ há mais 13 pedidos de licenciamento.

A este grupo vai juntar-se em breve a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, como confirmou o Provedor Pedro Santana Lopes esta terça-feira, na apresentação do relatório e contas da instituição referente ao ano passado, frisando que internamente já estão a ser reunidas as "condições para que isso seja possível". Considerou mesmo que esta é uma licença a que a Santa Casa "tem direito".

Licença antes do Euro

Satisfeito está Diogo Cardoso. Para este jogador, essencialmente de póquer, "hoje [ontem] deu-se o primeiro passo para que todo o jogo online saia da sombra em que viveu durante vários anos. Agora quer os jogadores profissionais quer os recreativos podem apostar sem o estar a fazer num vazio legal". Lembrou que esta aprovação surge a poucas semanas do Europeu de Futebol (França), o que vai permitir "mais soluções do que o Placard". Considerado o jogador de 2015 do ranking PokerPt, Diogo Cardoso espera que surjam mais sites e que no caso específico deste jogo - para o qual se estima que existam 150 mil apostadores - se possa atribuir licenças para exploração.

Com a porta que se abriu ontem muitos são os antigos jogadores que se preparam para voltar ao ativo. É o caso de Rui Gouveia: "Tive de parar quando as entradas nos sites deixaram de estar disponíveis. Agora vou voltar a jogar. Para já na Betclic, mas fico à espera que aquela que prefiro fique disponível." Não sendo possível apostar online, passou a ser um dos milhares de portugueses que se refugiaram no Placard - um jogo da Santa Casa da Misericórdia de apostas, mas em papel e que obriga a um registo num mediador. "Esta é uma boa noticia. Tinha o Placard como a minha metadona, digamos assim, mas obrigava-me a sair de casa e isso já era o suficiente para não apostar", sublinhou.

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