Já começou a corrida das marchas para 2017

Alfama foi coroada como vencedora de 2016 e já só pensa em revalidar o título. Castelo e Belém são as novidades do próximo ano

"Vamos aproveitar porque hoje [ontem] é o último dia de concórdia e agora vai começar a competição a sério!", foi desta forma bem-humorada - mas que não deixa de ter total fundo de verdade, como reconheceu - que Fernando Medina, presidente da câmara, se referiu às Marchas Populares de Lisboa, na entrega dos prémios da competição de 2016. Como habitualmente, a cerimónia decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho e serviu como ponto de transição das marchas do ano que está a terminar para o evento de 2017. Um ano que vai ter duas novidades: regressa a Marcha do Castelo e entra a de Belém.

Fernando Medina sublinhou "o extraordinário êxito da edição de 2016, com um espetáculo incrível na Avenida da Liberdade, que contou com a presença de 150 mil pessoas". O presidente da autarquia referiu que as marchas "têm uma importância enorme para Lisboa e são uma prova extraordinária de tradição, conjugada com modernidade, vitalidade e alegria". E frisou a importância deste evento para a cidade. "Não são apenas as pessoas presentes nas ruas e todos os que seguem a transmissão pela RTP, mas também milhões espalhados pelo mundo todo, pois o canal público vende os direitos de transmissão a alguns países, ou pelo menos, eu quero acreditar que vende", disse, em mais uma tirada que exemplifica a boa disposição com que se apresentou na cerimónia. O presidente da Câmara de Lisboa fez ainda questão de evocar o nome do encenador Carlos Mendes, falecido em 2016 e que desde há 26 anos era um nome incontornável na organização das marchas.

Medina revelou que foi António Costa, o antecessor na câmara, que lhe passou o gosto por esta festa de cariz popular. "Há uns tempos, desafiou-me para irmos assistir aos ensaios e aceitei de imediato. Durante 15 noites corremos todas as marchas e fiquei a perceber o sacrifício que esta gente faz em termos pessoais, familiares e laborais, demonstrando grande sentido de bairrismo e de comunidade."

O prémio do grande vencedor de 2016 foi entregue a Alfama, mas todas as marchas estiveram representadas, até a do Lumiar, 20.º e último classificado mas cujos representantes aceitaram o prémio com total fair-play.

Novidades para 2017

Fernando Medina anunciou como duas grandes novidades para a edição de 2017 "a reentrada da Marcha do Castelo e a entrada da Marcha de Belém". E revelou que o tema das Marchas Populares será "Lisboa, Cidade do Mundo, uma excelente escolha, pois simboliza uma cidade aberta e tolerante a todos os que a procuram para melhorar a sua vida e a dos seus".

Alfama ainda está a saborear o primeiro lugar de 2016 mas já pensa em revalidar o título, como reconhece Diogo Vaz, diretor da marcha. "Já está tudo em desenvolvimento e queremos manter o nível que temos demonstrado. Como já é tradição, os ensaios vão começar a 26 de abril", anunciou.

Diogo Vaz só lamenta o facto de muitos dos candidatos terem de ficar fora das escolhas finais. "As inscrições ficam abertas três semanas e felizmente temos sempre inúmeros interessados. Fazemos uma primeira seleção mas depois da primeira semana de ensaios há mais gente que tem de ficar de fora, pois não se enquadra no espírito que pretendemos."

António Barros, responsável pela Marcha de Benfica, quer esquecer o mau resultado deste ano, em que não foi além do 18.º lugar. "Nós temos grande tradição, recordo que já fomos coroados vencedores em três ocasiões, mas efetivamente não temos estado em bom plano ultimamente... Já estamos a preparar a parte dos fatos e dos arcos, para que nenhum pormenor seja descurado", disse.

O representante de Benfica reconheceu que Alfama "foi justa vencedora na última edição", mas não deixou de lamentar "que sejam quase sempre os crónicos candidatos a ganhar", garantindo que da parte do seu bairro "tudo irá ser feito para voltar aos bons resultados de antigamente".

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