Incêndio em Gavião dado como dominado

O incêndio que lavrava desde quinta-feira em Gavião, no distrito de Portalegre, foi dado como dominado "há poucos minutos", anunciou esta tarde a Autoridade Nacional de Proteção Civil.

"O incêndio de Gavião há poucos minutos foi dado como dominado", afirmou a adjunta nacional de operações da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) Patrícia Gaspar, no 'briefing' diário sobre os fogos florestais na sede da Proteção Civil, em Carnaxide.

Apesar desta "boa notícia", a responsável apontou que "vai-se manter todo o dispositivo no terreno", à exceção dos meios aéreos.

"Ainda temos muitas horas de trabalho pela frente para garantir a extinção deste incêndio", salientou.

Pelas 17:30, as chamas em Gavião estavam a ser combatidas por 547 operacionais, apoiados por 160 meios terrestres e 10 meios aéreos.

Já o incêndio de Mação, distrito de Santarém, continua ativo.

Patrícia Gaspar a admitiu "algumas reativações" neste caso, mas a excluiu a existência de frentes ativas.

"É um incêndio com um cenário muito mais estabilizado, foi possível mantê-lo assim durante toda a tarde", salientou.

No total, a Proteção Civil registou ao longo do dia de hoje 108 ocorrências, sendo que "em curso estão 14".

A porta-voz da ANPC referiu também três ocorrências novas, que se encontram ativas, nomeadamente em Vila Nova de Paiva (Viseu), Covilhã (Castelo Branco), e Alfândega da Fé (Bragança).

"Estamos a mobilizar meios, nenhuma delas neste momento apresenta pontos sensíveis em termos de possíveis de afetações de infraestruturas, habitações ou outras situações semelhantes, mas para já todas elas estão ainda ativas", explicou.

Quando ao incêndio da Covilhã, que pelas 20:30 mobilizava 159 operacionais, 35 meios terrestres e seis meios aéreos, a responsável explicou que, apesar de se terem registado alguns pontos críticos, as chamas "já começam a ceder".

Questionada sobre o facto de as chamas se aproximarem de zonas povoadas, a porta-voz da ANPC vincou que "para já não há nenhum ponto crítico imediato em risco", e que esperam conseguir "passar o incêndio a dominado nas próximas horas".

Falando no balanço de feridos, Patrícia Gaspar apontou "71 pessoas assistidas nos diferentes teatros de operações", "e 103 feridos, dos quais 95 são ligeiros e oito graves, sendo que dos graves nenhum corre risco de vida".

Quantos aos meios internacionais de reforço, mantêm-se em Portugal aqueles oriundos de Espanha e Marrocos, sendo que "três helicópteros suíços aterram amanhã [domingo] na Base Aérea de Monte Real" para apoio nas operações em curso.

"Ao abrigo daquela que foi a declaração de calamidade e os reforços que foram implementados, no que diz respeito sobretudo às questões preventivas, quer da vigilância, quer da presença dissuasora nos concelhos identificados nesta medida, temos um reforço de cerca de 570 bombeiros nos diferentes distritos", afirmou a adjunta nacional de operações.

A estes, juntam-se "535 equipas, incluindo Forças Armadas, GNR e PSP" e "ainda 31 equipas do corpo nacional de agentes florestais, as equipas de sapadores empenhadas nestas operações".

Quanto às previsões meteorológicas, mantém-se a previsão de tempo quente e seco. Por isso, Patrícia Gaspar reforçou a necessidade de "comportamentos adequados junto a áreas florestais", nomeadamente a proibição de fogo-de-artifício e a utilização de tratores e máquinas agrícolas.

"Estamos com condições meteorológicas muitíssimo adversas, qualquer pequena ocorrência pode transformar-se num grande incêndio florestal", salientou.

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