Câmara de Mira queixa-se de que habitantes foram abandonados

Os meios prometidos para o combate às chamas acabaram por nunca chegar e a falência das comunicações deixou o concelho isolado durante as horas mais dramáticas

Os habitantes de Mira foram "literalmente abandonados pelos poderes públicos centrais" durante os incêndios que queimaram 20 mil hectares no concelho, escreveu esta sexta-feira o presidente deste município, Raul Almeida, na sua página pessoal no Facebook.

"Os últimos dias marcaram o nosso concelho pela tragédia. Foram dias de extremo sofrimento que impuseram às gentes de Mira perdas significativas. Fomos literalmente abandonados pelos poderes públicos centrais. Lutámos sozinhos e sobrevivemos", refere o autarca, reeleito com maioria absoluta nas eleições autárquicas de 01 de outubro.

O combate aos incêndios na noite de domingo para segunda-feira (que tiveram dezenas de frentes, numa área superior a 120 km2) foi conduzido pelos Bombeiros Voluntários locais (32 elementos) e pela população, sem qualquer ajuda exterior, situação que já tinha sido referida antes por Raul Almeida.

Os meios prometidos no início dos incêndios pela tutela acabaram por nunca chegar e a falência das comunicações (incluindo o da rede do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) deixou o concelho isolado durante as horas mais dramáticas.

"Felizmente, podemos regozijar-nos pela inexistência de perda de vidas humanas. Tal só foi possível pelo elevado espírito de sacrifício e coragem e abnegação manifestados por toda a população e pelas entidades envolvidas", refere o autarca.

Raul Almeida elogia "o espírito de sacrifício e o empenhamento de todos na proteção das suas vidas e haveres e a ajuda aos seus vizinhos" e realça "a abnegação e altruísmo" dos bombeiros locais.

O autarca agradece à GNR e à Proteção Civil Municipal, aos Sapadores Florestais e funcionários da Câmara Municipal de Mira "pelo dinamismo demonstrado na sua ação" e deixa uma palavra especial às Juntas de Freguesia, "que desde o primeiro momento se envolveram ativamente na defesa das suas freguesias".

Deixa ainda "uma palavra de conforto especial para aqueles que perderam os seus lares e aos que veem os seus postos de trabalho em risco", garantindo que tudo irá ser feito para minimizar as suas perdas. "Vamos converter esta tragédia numa oportunidade", conclui.

Entretanto, entrou em funcionamento um gabinete para centralizar a recolha de informação sobre os prejuízos no concelho de Mira, localizado na sala da Ação Social Municipal no rés-do-chão da Incubadora de Empresas (AIBAP).

A autarquia pede a quem "sofreu prejuízos materiais nestes incêndios" que compareça nesta morada, ou, em alternativa, reporte a sua situação através dos números de telefone 927 607 001 ou 927 607 002.

Em simultâneo, equipas constituídas por elementos da GNR, de técnicos da Segurança Social, membros das Juntas de Freguesia e técnicos do Município começaram esta sexta-feira a percorrer o concelho a fazer o levantamento destas situações.

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