Aldeia de Falagueira, em Nisa, volta a ser evacuada

Pessoas foram transportadas para o pavilhão desportivo de uma escola básica em Nisa

A aldeia de Falagueira, no concelho de Nisa, distrito de Portalegre, voltou hoje à tarde a ser evacuada, devido à ameaça dos incêndios que lavram na zona, disse à agência Lusa fonte do município.

As pessoas voltaram a ser retiradas de Falagueira, uma aldeia da freguesia de S. Matias, pouco depois das 16:30, e transportadas num autocarro da câmara municipal para o pavilhão desportivo da Escola Básica do 2.º e 3.º ciclos professor Mendes dos Remédios, na vila de Nisa.

Também a pequena aldeia de Monte Claro, na freguesia de S. Matias, com cerca de 90 habitantes, vai ser evacuada durante a tarde de hoje, adiantou à Lusa a fonte do município.

Além de Falagueira, tinham sido evacuadas, por precaução, na quarta-feira à noite, as povoações de Vila Flor, Amieira do Tejo e Albarrol, devido às várias frentes de fogo, tendo as cerca de 100 pessoas regressado hoje de manhã às suas casas.

No concelho de Nisa, onde foi ativado o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil, continuavam hoje à tarde a lavrar dois incêndios, cada um com duas frentes, que mobilizavam, às 17:20, 446 operacionais, com o apoio de 136 viaturas e nove meios aéreos, segundo a página na internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Os incêndios obrigaram ao corte do Itinerário Principal (IP) 2, no nó Gardete, que faz ligação à Barragem de Fratel, concelho de Nisa, no limite com o distrito de Castelo Branco.

Um dos fogos teve origem no de Vila Velha de Ródão, distrito de Castelo Branco, que passou na terça-feira à noite o rio Tejo e chegou ao concelho vizinho de Nisa, através do monumento natural das Portas de Ródão.

O alerta deste incêndio no concelho de Nisa foi dado às 21:34 de terça-feira, nas Portas do Ródão, freguesia de Santana.

Na quarta-feira à tarde, também o fogo de Mação, no distrito de Santarém, se propagou ao concelho de Nisa, começando por Albarrol, na zona de Arez e Amieira do Tejo, tendo o alerta sido dado às 20:49.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.