"Homicida do veleiro". Matou há 30 anos, fugiu da prisão e foi detido em Lisboa

Filippo De Cristofaro, conhecido como o "Rambo dos Mares", matou uma mulher em 1988, com a cumplicidade da namorada

Rambo dos Mares, Homicida do Veleiro ou simplesmente Filippo Di Cristofaro. Este italiano de 62 anos protagonizou há dois anos uma fuga que ficou famosa no seu país, onde cumpria pena de prisão perpétua por ter assassinado, em 1988, a comandante de um veleiro que roubou para fugir com a namorada menor. Foi apanhado agora pela Polícia Judiciária na zona de Lisboa, onde vivia com identidade falsa.

Estava evadido de uma cadeia italiana desde abril de 2014, altura em que teve direito a uma saída precária, e escolheu Portugal como destino -refúgio. Foi a sua segunda fuga ao longo de 28 anos de cadeia (de uma pena total de prisão perpétua por homicídio). A Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária encontrou Filippo depois de várias diligências de investigação. Agora o homicida vai aguardar extradição em Portugal.

Filippo tinha 34 anos quando foi condenado, em 1988, em Itália, a prisão perpétua pelo homicídio da comandante de um veleiro que ele fretou com o plano de ir para a Polinésia francesa com a namorada. A mulher do leme, Annarita Curina, de 34 anos, foi eliminada de forma violenta por Filippo e a sua namorada Diana, que tinha apenas 17 anos. Na altura Di Cristofaro já era conhecido como o Rambo dos Mares, sendo-lhe atribuída a fama de três naufrágios, como escreveu a GQ italiana em 22 de junho de 2015, mais de um ano depois da segunda fuga prisional de Filippo.

Crime violento a bordo

Annarita foi assassinada a 10 de junho de 1988, apenas algumas horas depois de ter partido do porto de Pesaro com o casal a bordo. O seu corpo veio a aparecer ao largo de Senigallia 18 dias mais tarde. Foi drogada com Valium e ferida com uma cutelada e três golpes de faca.

A notícia do crime correu as primeiras páginas dos jornais italianos. As autoridades apressaram-se a controlar as costas da Tunísia, Argélia e Marrocos. Sucederam-se os falsos avistamentos do veleiro e entrou em cena um terceiro personagem, Pieter Gronendijk, um amigo do casal que nada teve a ver com o crime, pois entrou a bordo já depois do homicídio. De Cristofaro, o Rambo dos Mares decide falar em agosto aos jornais. Admite a autoria do crime mas tenta limpar a imagem. "Não sou a pessoa que pensam", conta então, garantindo que não instigou a namorada Diana ao crime. Também assegurou que não era um "ladrão habitual de barcos" e que tinha uma vida normal até conhecer a jovem Diana, que o levou "para outra dimensão".

Diana veio a ser condenada a seis anos e meio de prisão por ser menor, tendo cumprido apenas 15 meses. Segundo contou a jovem na altura, foi o namorado que planeou a morte da comandante do veleiro. O plano era colocar Vallium no café numa dose suficiente para matar Annarita. Mas como a mulher não bebeu o café todo, Filippo passou uma faca para a mão de Diana que deu o primeiro golpe. Segundo contou Diana aos jornais, o massacre ficou a cargo do namorado. Diana refez a vida e é mãe de três filhos. Mas o Homicida do Veleiro, condenado a prisão perpétua, nunca a esqueceu. A 6 de julho de 2007, Filippo teve direito a uma primeira saída precária e aproveitou para fugir da prisão da Opera, em Itália. Na sua mente só havia um destino: a cidade de Utrecht, onde viveria Diana, e onde veio a ser apanhado um mês mais tarde. Voltou ao cárcere. A vontade de ver Diana foi mais forte do que o medo de ir preso mas nem a conseguiu encontrar na altura.

Passaram-se mais sete anos até Filippo conseguir fugir outra vez, em abril de 2014, durante a segunda saída precária, pela Páscoa, desta vez na prisão de Porto Azzurro. Eram três dias apenas de saída. Foram mais dois anos sem ninguém saber do italiano, o que levou a imprensa do seu país a publicar alguns artigos que refrescavam a memória do crime.

Diana, a namorada, afirmou na altura: "Tenho medo dele. Não falo com ele há 26 anos e questiono como é que Filippo pode ter fugido por duas vezes da prisão". Ninguém sabe, mas agora deve ser alvo de atenção redobrada.

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