Homens ganham três anos de vida em dez anos

Menor diferença entre géneros é um indicador de desenvolvimento humano

A esperança média de vida das mulheres à nascença continua a ser superior à dos homens, mas a diferença é cada vez menor. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), nos últimos dez anos, a diferença diminuiu de 6,52 para 5,72 anos. No mesmo período, a esperança de vida à nascença da população portuguesa aumentou 2,44 anos, uma vez que os homens ganharam perto de três anos e as mulheres dois. "Há uma reflexão importante a fazer: Como é que podemos pôr a qualidade a evoluir da mesma forma que a quantidade? Para que serve viver até aos 200 anos, se a partir dos 50 ficamos acamados?", questiona a diretora da Pordata, Maria João Valente Rosa.

Segundo os dados das Tábuas de Mortalidade para Portugal, a esperança de vida à nascença foi estimada em 80,62 anos para o total da população, sendo de 77,61 anos para os homens e de 83,33 anos para as mulheres no período 2014--2016. Isto representa um ganho de três meses para o sexo masculino e de 1,2 meses para o feminino face aos valores de 2013-2015, o que põe os homens mais perto das mulheres.
Destacando que "estamos a caminhar no bom sentido", Maria João Valente Rosa explica que "a diferença entre homens e mulheres é menor nos países mais desenvolvidos", pelo que uma menor diferença é um "bom indicador de desenvolvimento humano". No entanto, alerta, "é importante não descurar a questão da qualidade".

Os dados de 2014 mostram que embora as mulheres vivam mais, têm, em média, menos anos de vida saudável aos 65 anos do que os homens.

Os ganhos em termos de esperança média de vida refletem, de acordo com a demógrafa, avanços ao nível do desenvolvimento. "Tem que ver com a escolaridade, com os avanços médicos ao nível da prevenção, com estilos de vida mais saudáveis, com uma maior sensibilização ao nível dos comportamentos de risco." Tudo isto permite ter uma "sociedade mais esclarecida" para "enfrentar certos riscos". Portugal segue uma tendência que se verifica a nível mundial, cujo limite se desconhece. "Não sabemos até onde poderá ir a esperança média de vida", sublinha.

No seguimento dos dados publicados ontem pelo INE, fonte do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social confirmou à Lusa que as reformas antecipadas pedidas este ano terão um corte à cabeça de 13,88%. Os dados definitivos da esperança média de vida aos 65 anos indicam que este indicador é de 19,31 anos, confirmando-se assim as estatísticas provisórias avançadas em novembro.

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