Histórico. Foi assinado acordo contra aquecimento global

Hollande e Ban Ki-moon abraçaram-se. John Kerry chorou. "É histórico" diz a UE. Paris "mudou o mundo", diz Martim Schulz

Os 195 países reunidos em Paris na conferência das Nações Unidas sobre o clima (COP21) assinaram hoje o primeiro acordo universal de luta contra as alterações climáticas e o aquecimento global.

Países desenvolvidos e em desenvolvimento comprometeram-se a caminhar para modelos económicos que reduzam as emissões de dióxido de carbono e gases de efeito estufa.

"O acordo de Paris para o clima foi adotado", anunciou o presidente da COP21 e ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, suscitando um longo e unânime aplauso das delegações presentes na sala.

Ao bater com o malhete, gesto simbólico que assinalou o alcançar do acordo, Fabius afirmou que o consenso vai permitir "fazer grandes coisas".

O Presidente francês, François Hollande, e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, abraçaram-se e o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, chorava de emoção ao assistir ao corolário de mais de vinte anos de cimeiras do clima e de um esforço diplomático sem paralelo desenvolvido no último ano.

No acordo legal universal contra as alterações climáticas listam-se várias medidas vinculativas a longo prazo para conseguir limitar a subida da temperatura a dois graus no final do século.

Este acordo deverá ser aplicado a partir de 2020 e pôr termo ao conflito entre países ricos e pobres sobre como travar o aquecimento global.

A aplicação do acordo supõe reduzir ou eliminar o consumo de carvão, petróleo e gás como fontes de energia, um modelo que move as sociedades humanas desde o século XVIII.

Mas o que foi de facto conseguido? Veja aqui

Os avisos da comunidade científica prevêem cheias, secas e tempestades cada vez graves, bem como a subida do nível das águas do mar, que seria catastrófica para zonas costeiras onde vivem milhões de pessoas.

A aposta para conseguir limitar a subida das temperaturas passará pela adoção de fontes energéticas limpas, tais como a solar e eólica, e pela eficiência.

As reações

"Um acordo histórico! Depois de tantos anos de esforços sem tréguas esta é uma grande vitória para a Europa", afirmou o comissário europeu de Ação para o Clima e Energia, Miguel Arias Cañete, numa mensagem divulgada na rede social Twitter.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, considerou hoje "enorme" o primeiro acordo universal sobre a luta contra as alterações climáticas, mas graças à liderança norte-americana.

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, desafiou hoje os países signatários da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP21) a implementarem medidas concretas para fazer cumprir os objetivos do acordo assinado em Paris.

Greenpeace diz que acordo é um aviso para indústria dos combustíveis fósseis e defendeu que "este é o final da era dos combustíveis fósseis".

O climatólogo francês Jean Jouzel, prémio Nobel da Paz em 2007 com o grupo de peritos do clima (GIEC), considerou hoje o acordo concluído hoje em Paris ambicioso, mas lamentou a falta de meios para atuar até 2020.

Personalidades de todos os cantos do mundo, falando à margem das negociações à porta fechada sobre o clima, na cimeira de Paris, rivalizaram na eloquência para apelar a um acordo que permitisse travar o embalo do termómetro climático:

- "Recuso-me a regressar a casa sem um acordo que me permita olhar os meus filhos nos olhos e dizer-lhes: O papá chegou e tenho um bom acordo para vocês" - Tony de Brum, ministro dos Negócios Estrangeiros das Ilhas Marshall.

- "Todo o planeta deveria agradecer a Chávez por ter dito não em Copenhaga (...). Fê-lo para que o mundo pudesse obter um melhor acordo (...). A única coisa que lamento é que ele não possa estar hoje aqui" - Claudia Salerno, negociadora da Venezuela.

- "Se salvarmos Tuvalu, salvaremos o mundo!" - Enele Sosene Sopoaga, primeiro ministro de Tuvalu.

- "Chegou a hora de responder ao apelo da História" - Christiana Figueres, responsável pelas questões climáticas na ONU.

- "A catástrofe ambiental paira sobre nós" - Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU.

- "Modificando o clima, tornamo-nos arquitetos da nossa própria destruição" - Charles, príncipe de Gales e herdeiro do trono britânico.

- "É o fim da estrada, e não há plano B", - Bianca Jagger, ativista dos direitos humanos e do ambiente.

- "Se esta situação continua como está, serão os arqueólogos a debruçar-se sobre as questões do clima em vez dos cientistas..." representante das ilhas Barbados, Estado insular nas Caraíbas, citado por um observador.

- "Como dizia Nelson Mandela, tudo pode ter uma aparência impossível até ao momento em que é concretizado" - Nozipho Mxakato-Diseko, embaixadora sul-africana e porta-voz dos países pobres e emergentes em África.

- "São precisos todos os ingredientes, e as especiarias para fazer uma receita de culinária. Na próxima semana passamos para a cozinha e começamos a confeção" - Su Wei, negociador chinês, sobre as etapas das negociações.

- "Eu observo a sala, vejo que a reação é positiva, não oiço qualquer objeção, o acordo de Paris para o clima foi adotado!", Laurent Fabius, ministro francês dos Negócios Estrangeiros e presidente da COP21.

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