Grupo de cidadãos chama lisboetas ao Marquês para buzinar contra obras

Segundo um dos promotores do protesto, marcado para as 18:30, "o projeto estava pouco explicado e era importante que as pessoas tivessem conhecimento"

Um grupo de cidadãos promove a partir das 18:30 de hoje, na praça do Marquês de Pombal, um buzinão para lisboetas indignados com as obras de requalificação da Câmara de Lisboa no Saldanha e em Picoas.

Luís Andrade, um dos promotores da iniciativa, explicou à agência Lusa que o protesto é dirigido aos "lisboetas em geral que queiram manifestar a sua indignação", mas de forma "perfeitamente pacífica".

"Não vamos complicar nada, é só buzinar e continuar. Não vamos parar o trânsito, nem é o que se pretende", salientou.

Sobre a organização da iniciativa, apontou que estão "várias pessoas [envolvidas], não são só moradores", que se decidiram juntar porque "havia um grande desconhecimento em relação ao projeto".

"Achámos que o projeto estava pouco explicado e que era importante que as pessoas tivessem conhecimento", insistiu Luís Andrade, esperando que se consiga suspendê-lo para discussão "e depois, eventualmente, recomeçar a obra mas com o projeto alterado".

Outro dos objetivos é chegar à fala com o presidente do município, Fernando Medina (PS): "Nós vamos pedir uma reunião com o senhor presidente da Câmara para ver se conseguimos obter algumas informações".

Para Luís Andrade, "uma das grandes dificuldades" reside em "perceber o que vai acontecer ao tráfego que passa pelo dito Eixo Central, que agora perde vias".

"Para onde é que este tráfego vai, que impacto é que vai ter noutras zonas da cidade e como é que isso vai ser mitigado? São coisas que gostaríamos de ver explicadas e de que não conseguimos, até ao momento, ter uma explicação real", indicou.

Referindo que durante o fim de semana estiveram paradas as intervenções iniciadas há uma semana nas avenidas Fontes Pereira de Melo e da República, junto a Entrecampos, o munícipe sustentou que "para uma obra destas, numa zona sensível, faria sentido que ao fim de semana houvesse trabalhos, até para impedir transtornos para quem circula ali diariamente".

Nestes primeiros dias (a empreitada arrancou na semana passada), Luís Andrade notou "muito mais trânsito, muito mais complicação com o tráfego, muito mais barulho e muito mais poluição".

No evento criado na rede social Facebook, cerca de meia centena de pessoas tinham confirmado a sua presença no buzinão até segunda-feira à noite, enquanto perto de 100 tinham manifestado interesse em participar.

Entretanto, a Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente divulgou, em comunicado, que "discorda totalmente desta iniciativa", pois "vai contra os princípios e objetivos de uma cidade sadia e ambientalmente sustentável".

Em causa neste projeto está o alargamento dos passeios, a criação de zonas verdes e de estadia, a repavimentação das faixas de rodagem (feita durante a noite), o reordenamento do estacionamento e a criação de uma ciclovia bidirecional, no âmbito do programa "Uma praça em cada bairro".

A intervenção vai originar a supressão de cerca de 60 lugares de estacionamento no Saldanha, segundo a autarquia, e levar à redução temporária de uma via em cada sentido na Avenida Fontes Pereira de Melo, durante três meses.

Admitindo que este período inicial seja o mais complicado de toda a obra, a autarquia recomenda aos condutores encontrarem caminhos alternativos, mas, se possível, a deixarem os carros e utilizarem transportes públicos.

Orçada em 7,5 milhões de euros, a intervenção tem uma duração estimada de nove meses.

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