Google recebeu quase 350 mil pedidos de "esquecimento"

O direito ao esquecimento foi aprovado no Tribunal de Justiça da União Europeia no ano passado

O Google recebeu este ano 348 085 pedidos para remover as ligações associadas a algumas pesquisas, no âmbito do direito ao esquecimento. Na sua maioria, os pedidos vieram da França (73 mil), Alemanha (60 mil), Reino Unido (43 mil), Espanha (33 mil) e Itália (26 mil). De Portugal chegaram 2 847 pedidos de remoção de resultados, o equivalente a 10 957 resultados - 25% deles foram removidos.

Os pedidos vêm no seguimento da aprovação do chamado "direito ao esquecimento", no Tribunal de Justiça da União Europeia, em maio do ano passado. Esta decisão veio permitir a qualquer pessoa "pedir aos motores de pesquisa para remover determinados resultados acerca dela". Os motores de pesquisa, como o Google, devem depois avaliar os pedidos de remoção e têm o direito de "continuar a apresentar determinados resultados quando existir um interesse público para o fazer", como explica o relatório de transparência publicado pela empresa.

O Google explicou que analisa cada caso e decide pensando no interesse público do conteúdo. Por exemplo, no Reino Unido, um funcionário público que pediu a remoção de um link para uma petição de uma associação de estudantes que exigia a sua destituição viu o seu pedido negado, e o resultado continua a aparecer na pesquisa pelo seu nome.

Também no Reino Unido, um antigo clérigo pediu a remoção de dois links para artigos relativos a uma investigação sobre acusações de abuso sexual no decorrer da sua atividade profissional. Mais uma vez, o pedido foi negado.

Por outro lado, na Bélgica, um indivíduo condenado por cometer um crime grave nos últimos cinco anos, mas cuja condenação foi anulada em tribunal, solicitou a remoção de um artigo acerca do incidente e viu o seu pedido aceite. Foram removidas as páginas dos resultados da pesquisa pelo nome do indivíduo.

O direito ao esquecimento começou a ser discutido há alguns anos quando o espanhol Mario Costeja González pediu que um artigo escrito em 1998 fosse retirado dos resultados da pesquisa pelo seu nome no Google porque o prejudicava e não refletia o seu estado atual. O tema do artigo em questão era a falência do empresário, que o fez perder até a casa. O direito ao esquecimento foi aprovado no Tribunal de Justiça da União Europeia.

No top10 dos sites com mais pedidos de remoção estão o Facebook, Youtube, Google+ e o Twitter.

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