Google pede desculpa por anúncios aparecerem associados a conteúdo extremista

Responsável europeu da empresa obrigado a desculpar-se pelo facto de a publicidade de grandes companhias aparecerem antes de conteúdo extremista no Youtube

Matthew Brittin, responsável da Google para a Europa, Médio Oriente e África, pediu desculpa no seguimento da polémica da colocação de anúncios de grandes empresas antes de vídeos de conteúdo extremista no Youtube.

O pedido de desculpas aparece depois da Marks and Spencer, a última empresa depois da Audi, RBS e L'Oreal, entre outras, retirar os seus anúncios da plataforma.

Brittin promete rever a política da empresa para evitar este tipo de situações, mas a vontade da empresa é posta em causa por vários. De acordo com a BBC, que cita uma investigação da Times, anúncios de empresas bem conhecidas apareceram antes de vídeo de Youtube de grupos ligados ao antissemitismo, aos defensores da violação e a outros grupos de ódio.

Assim, estes grupos terão recebido dinheiro por terem a publicidade nos seus vídeos, levantando a questão se os anúncios não estariam a ajudar a financiar as atividades desses mesmos grupos.

Um anúncio que apareça "colado" a um vídeo garante a quem colocou o vídeo seis libras (cerca de 7 euros) a cada mil views. As grandes marcas recusam ser associadas ao tipo de discurso e ideais de alguns dos canais e vídeos de Youtube, daí que estejam a retirar os seus anúncios.

"Quero começar por pedir desculpa às marcas afetadas. Levo este assunto muito a sério e peço desculpa pelos momentos em que este tipo de situações possa ter acontecido", disse Matthew Brittin no evento Advertising Week Europe, de acordo com o The Guardian.

O mesmo jornal diz que Brittin recusou três vezes dizer se a Google iria, ou não, começar a procurar conteúdos extremistas, como por exemplo nos vídeos colocados no Youtube, ao invés de esperar pelos avisos dos utilizadores.

"Claro que estamos a tentar melhorar o que fazemos. É uma questão de recursos, tecnologia e comunidade", acrescentou o responsável da Google.

Disse ainda que os valores envolvidos são "pennies not pounds" (cêntimos e não muito dinheiro), admitindo que a empresa precisa "claramente de fazer mais nessa área".

Muitas são as vozes críticas relativamente à situação. Yvette Cooper, membro do Partido Trabalhista no parlamento inglês e com assento no comité de para os assuntos internos, diz que a Google "está a falhar".

"Este pedido de desculpas da Google não é o suficiente. Têm de dizer se vão devolver o dinheiro desses anúncios e responder às nossas questões sobre o que eles vão fazer mais para lutar contra o extremismo e atividade ilegal no Youtube. Porque eles continuam a não fazer o suficiente para remover conteúdo ilegal ou ligado ao ódio do site", disse Cooper.

Executivos da Google foram chamados ao Gabinete britânico para explicar aos ministros o que pretendem fazer sobre o conteúdo extremista e os anúncios que aparecem antes deste, não só no Youtube, como em toda a rede da Google.

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