Francesinhas. Conquistar Londres com um prato típico do Porto

Há uma padaria a produzir o pão específico para o prato, com receita nacional. Os ingredientes são quase na totalidade importados de Portugal. Clientes elogiam

É certo que em Londres não faltam restaurantes portugueses onde se comem francesinhas mas a mais recente oferta nacional na capital britânica tem no típico prato portuense a principal aposta e imagem de marca. Chama-se FRHappy, abriu em Islington, uma das zonas mais atrativas de Londres, e a francesinha é a rainha do menu.

Teresa Cardoso é a gerente. Chegou a Londres há dois meses. Veio de propósito para trabalhar no restaurante. "Estar no projeto desde o início, fazê-lo crescer e sentir o feedback dos clientes, com uma especialidade da cidade do Porto, foram os ingredientes necessários para me sentir completamente em casa", disse ao DN.

Formada em Gestão Hoteleira e Turismo, Teresa foi convidada, em 2015, pelos sócios do FRHappy, António Almeida e José Meneses, para gerir este restaurante. Desafio aceite de imediato e que a levou a deixar a coordenação de uma cadeia de comida italiana onde já somava 19 anos de experiência.

Ao DN, assegurou que a mudança para este desafio "deve-se ao facto de poder assimilar novos hábitos, saber gerir a mudança, poder de-senvolver competências e de formar novas equipas, tudo isto numa cidade cosmopolita, com um ritmo tão alucinante quão admirável e com a qual me identifico bastante".

Após as primeiras semanas de funcionamento, é já possível dizer que o negócio vai de vento em popa. "Nesta primeira fase não estávamos a contar com tão forte adesão, principalmente aos fins de semana. Tem havido uma procura muito grande tanto de clientes portugueses, saudosos da tradicional francesinha, como também de clientes londrinos",sublinhou.

E à hora de jantar cá estão eles. Um grupo de três ingleses: dois homens e uma mulher, todos já nos seus 30 e poucos anos. É a primeira vez que comem uma francesinha.

Ao DN, Richard Teikon diz saber "mais ou menos" o que está a comer. Sabe que é baseado no prato francês croque-monsieur mas que esta é uma receita portuguesa. Sem dificuldade, rapidamente descreve o que mais lhe agrada: "O molho é ótimo, assim por cima e a toda à volta. Adoro o molho. Gosto do ovo por cima e gosto da espessura. É fantástico." O amigo John Macintosh não consegue dizer o nome do prato em português, um desafio rapidamente aceite pela namorada que, num português meio "inglesado", lá diz "francesinha". Ao DN, John refere que resolveu seguir o conselho do empregado e não se arrependeu. "A carne é boa, o queijo é bom, o ovo é bom, tudo é bom e o molho picante é ótimo."

No restaurante há vários símbolos de Portugal e do Porto. Na sala de jantar do rés-do-chão, uma das paredes está forrada a mosaicos a fazer lembrar os azulejos portugueses. Na sala do primeiro piso, uma enorme pintura feita à mão por alunos da escola Soares dos Reis, no Porto, mostra um misto de elementos ligados a Londres e ao Porto. Não falta a Torre dos Clérigos nem a Ponte D. Luís, que, numa das extremidades, se torna a roda gigante de Londres.

O projeto nasceu da mente de António Almeida e da mulher e teve como objetivo levar um dos mais típicos pratos portugueses a uma das mais exigentes cidades mundiais. Com o apoio do sócio José Meneses, o sonho tornou-se realidade em Londres. "Pelo dinamismo e cosmopolitismo de Londres, achámos que era o sítio ideal para esta aventura", explicou António Almeida.

Apesar da enorme comunidade de restaurantes internacionais que existe na cidade, António Almeida considera que a francesinha tem potencial para vingar. "Esta oferta é para um nicho que não estava a ser trabalhado. Temos o hambúrguer, a piza e aqui há um espaço no meio que a francesinha, não sendo na realidade conhecida internacionalmente, pode muito bem ocupar."

Como não podia deixar de ser, na cozinha reina um chef português, do Porto. Pedro Osório trabalhava num hotel londrino mas não resistiu à proposta de António Almeida. Garante que a sua francesinha é o mais tradicional possível. Missão difícil a milhares de quilómetros do Porto, e onde até o pão adequado foi difícil de encontrar. "Como não encontrámos aqui o pão, trouxe uma receita de Portugal e pesquisei algumas padarias e, à terceira, houve uma que realmente produziu o pão português, específico para francesinha." Ainda assim, o chef assegura que "80% a 90%" dos ingredientes são importados da cidade Invicta, como a salsicha fresca e a linguiça.

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