Fogo deixa meia centena de postos de trabalho em risco

Muitas fábricas forram destruídas. Empresas como Moviflor, Sonae e PSA atingidas

Oliveira do Hospital terá sido concelho mais afetado. Entre 400 e 600 postos de trabalho ficaram em risco depois de fogos.

Moviflor, Sonae Indústria e PSA são apenas a face visível das dezenas de empresas atingidas pela vaga de incêndios que devastaram a região centro e norte do país. Há relatos de várias fábricas destruídas e centenas de empregos em risco. Oliveira do Hospital terá sido o concelho mais afetado.

A Moviflor perdeu o centro logístico, na zona industrial de Mamodeiro, em Aveiro. Apesar de as duas lojas (Aveiro e Coimbra) continuarem a funcionar com normalidade, a empresa está com problemas de stock: várias fornecedoras de móveis para a Moviflor também viram os armazéns destruídos.

A Sonae Indústria teve de encerrar as fábricas de Oliveira do Hospital e de Mangualde depois de terem ardido parte dos parques de madeira e zonas limítrofes. A empresa diz que a avaliação de danos será feita "logo que seja possível o acesso sem restrições à totalidade das instalações".

Também em Mangualde, a fábrica da Peugeot-Citroën (PSA) esteve de portas fechadas. Mesmo sem incêndios nas imediações, não foram montados automóveis devido ao corte de estradas de acesso à unidade, estarem trabalhadores a combater fogos junto das suas casas e a presença de fumo e de partículas em suspensão.

Ao longo do dia surgiram relatos de fábricas destruídas nos concelhos de Mira, Lousã, Oliveira do Hospital, Oliveira de Frades, Seia e Viseu. Meo, Nos e Vodafone, EDP e REN viram arder milhares de quilómetros de cabos elétricos e de telecomunicações.

Até 15 de setembro, os incêndios já tinham custado 613 milhões euros à economia, segundo a comissão técnica independente do incêndio de Pedrógão Grande.

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