EUA. Dos movimentos contra as vacinas aos surtos

A Organização Mundial da Saúde diz que as vacinas evitam milhões de mortes por ano, mas há quem não acredite

Barack Obama insistiu que os pais devem continuar a vacinar os filhos. Donald Trump, o seu substituto, nomeou um representante "antivacinação", Robert Kennedy Jr., para liderar uma comissão sobre o assunto. Mas esta não é só uma divergência entre Obama e Trump. Nos Estados Unidos, os movimentos antivacinação têm vindo a ganhar cada vez mais adeptos.

De acordo com um artigo publicado recentemente pela agência Bloomberg, o Texas é o centro deste movimento e há dezenas de milhares de crianças a crescer sem vacinas, 20 vezes mais do que em 2003. Uma das teorias mais usadas para não dar vacinas às crianças é a do cirurgião Andrew Wakefield, que em 1998 publicou um artigo na revista Lancet a relacionar as vacinas infantis com os casos de autismo. Mas a sua teoria foi desacreditada por diversos estudos científicos.

Em 2015, um surto de sarampo que começou no parque temático da Disneyland, na Califórnia, atingiu mais de cem pessoas, distribuídas por 14 estados. Considerado o surto mais grave do século, e atendendo a que a doença já tinha sido considerada erradicada, foi associado ao facto de cada vez mais famílias optarem por não imunizar as crianças contra as doenças contagiosas. Embora a doença já não existisse nos EUA, bastava alguém ter viajado de um país onde existe para, em contacto com população que não estava imunizada contra a doença, ela se disseminar.

Outro caso mediático que envolve a não vacinação foi o da morte de uma criança de 6 anos, em Espanha, no ano passado, com difteria. O menor, que não tinha sido vacinado contra esta patologia por opção dos pais, não resistiu após quase um mês de tratamentos. Além da criança, a doença foi identificada em mais dez crianças que tinham estado em contacto com o menino, mas que estavam vacinadas.

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