Estão a nascer menos cinco bebés por dia

As mulheres portuguesas têm o primeiro filho cada vez mais tarde, mas ao contrário do que acontece no norte da Europa em Portugal decidem não ter mais do que um filho

Os últimos dados do teste do pezinho, a que o Público teve acesso, indicam que este ano estão a nascer menos cinco bebés por dia. Entre janeiro e agosto, este ano teve menos 1216 nascimentos do que o mesmo período de 2016, ano em que foram rastreados 87.577 recém-nascidos, diz o jornal.

Desde 2015 que se verificou um aumento significativo na natalidade, nasceram 85.056 bebés, cerca de mais de três mil do que em 2014, ano em que nascerem 83.100 crianças.

Este ano os testes do pezinho feitos no âmbito do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) através da Unidade de Rastreio Neonatal do Departamento de Genética, a que o jornal Púbico teve acesso, mostram que há distritos em que nasceram pouco mais de meia centena de bebés por mês, nomeadamente em Bragança, Portalegre e Guarda, nestes distritos em 2016 os nascimentos foram menos de mil, o que permite verificar o processo de desertificação do interior do país.

De acordo com o Público, Maria João Valente Rosa, demógrafa e diretora da base de dados Pordata, revelou não estar surpreendida com os números dos primeiros oito meses deste ano, 56.429 nascimentos, uma vez que já tinha alertado para o facto de ser ainda cedo tirar conclusões sobre o aumento de natalidade dos anos de 2015 e 2016.

"Fui muito prudente. Disse que (os aumentos) poderiam corresponder a nascimentos que foram adiados no período em que a crise se agudizou e em que se observou uma descida muito significativa", explicou a demógrafa.

As mulheres portuguesas, tal como em outros países na Europa, tem o primeiro filho cada vez mais tarde, mas ao contrário do que acontece no norte da Europa em Portugal optam por não ter mais do que um filho.

Segundo Maria João Valente Rosa, em Portugal o problema para ter o segundo filho passa por várias "condições adversas que têm sido pouco abordadas entre nós, desde logo o apoio à primeira infância" e a "forte desigualdade entre pais e mães".

A demógrafa salienta para o facto de a imigração ser também um fator determinante na natalidade, pois "saiu muita gente em idades férteis" e isso contribui para Portugal estar abaixo no índice sintético de fecundidade, que era 1,3 em 2015, o mais baixo da União Europeia e subiu em 2016 para 1,36.

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