Estados-membros da UE mantêm divergências sobre utilização de glifosato

Em Portugal, uma petição a favor da proibição do herbicida já reuniu 15 mil assinaturas

O comité de peritos da União Europeia responsável por discutir a renovação da licença para a utilização de glifosato em território europeu voltou a falhar hoje um acordo, podendo assim esta substância ser proibida em breve.

Um porta-voz da Comissão Europeia explicou que o comité, no qual estão representados os 28 Estados-membros, reuniu-se na quarta-feira e hoje, em Bruxelas, mas "uma vez que era óbvio que não havia uma maioria qualificada", não foi realizada sequer votação, até porque o executivo comunitário "já deixara claro que não seria possível prosseguir sem uma maioria qualificada sólida de Estados-membros".

"A Comissão vai refletir no desfecho da discussão. Se não for tomada qualquer decisão até 30 de junho, o glifosato deixará de ser autorizado na UE, e os Estados-membros terão de retirar as autorizações a todos os produtos à base de glifosato", acrescentou.

Na terça-feira, o ministro da Agricultura indicou em Bruxelas que Portugal deveria manter a posição de abstenção quanto à análise da Comissão Europeia sobre o uso de glifosato, um produto para eliminar ervas daninhas.

Em causa está a proposta do executivo comunitário de utilizar o glifosato por mais nove anos, mas sem alguns dos co-formulantes considerados cancerígenos.

Aos jornalistas portugueses, Capoulas Santos justificou a abstenção indicando que os "dados científicos são contraditórios" e citou o estudo da Organização Mundial de Saúde divulgado na quarta-feira que "relativiza os riscos do glifosato".

O governante lembrou ainda que há "quatro ou cinco dias atrás" Portugal proibiu o componente taloamina.

Em Portugal, uma petição a favor da proibição do herbicida já reuniu 15 mil assinaturas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Pedro Lains

"Gilets jaunes": se querem a globalização, alguma coisa tem de ser feita

Há muito que existe um problema no mundo ocidental que precisa de uma solução. A globalização e o desenvolvimento dos mercados internacionais trazem benefícios, mas esses benefícios tendem a ser distribuídos de forma desigual. Trata-se de um problema bem identificado, com soluções conhecidas, faltando apenas a vontade política para o enfrentar. Essa vontade está em franco desenvolvimento e esperemos que os recentes acontecimentos em França sejam mais uma contribuição importante.