Equipa liderada por astrofísico português criou mapa tridimensional da infância do Universo

Cerca de 30 vezes mais pequenas, mais compactas e com predominância de luz ultravioleta, as galáxias da infância do universo continham "estrelas muito quentes que viveram pouco tempo"

Um mapa em três dimensões da infância do universo é apresentado hoje em Liverpool, mostrando quase 4.000 galáxias, muitas das quais evoluíram até ficarem semelhantes à Via Láctea, num trabalho de uma equipa liderada pelo astrofísico português David Sobral.

O investigador da universidade inglesa de Lancaster e a sua equipa usaram telescópios no Havai e nas ilhas Canárias para analisar a luz que emanou há milhares de milhões de anos de galáxias distantes e que ainda vai chegando à Terra, proporcionando janelas para ver o passado do Universo.

"Uma das questões mais interessantes é extrapolar o que aconteceu a estas galáxias passado este tempo todo. A maior parte delas acabaria maior, muito semelhante à Via Láctea. Estamos a ver nossa galáxia como seria na sua infância", disse à agência Lusa David Sobral, também colaborador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.

Cerca de 30 vezes mais pequenas, mais compactas e com predominância de luz ultravioleta, as galáxias da infância do universo continham "estrelas muito quentes que viveram pouco tempo", o que em astronomia significa "alguns milhões de anos".

Os cientistas usaram vários filtros para se poderem concentrar em diferentes comprimentos de onda da luz e assim seguir a assinatura de átomos de hidrogénio e focar-se em galáxias de 16 eras diferentes, com idades entre os 11 mil milhões e os 13 mil milhões de anos.

"Em princípio, muitas delas estarão hoje como galáxias espirais, a formar estrelas, outras, as mais brilhantes, acabarão como elípticas, com muito mais estrelas", disse David sobral.

Outra característica das galáxias da infância do Universo, que se estima existir há 13,7 mil milhões de anos, é terem surtos de atividade e produção de estrelas mais extremados, em vez do ritmo regular que se verifica na Via Láctea.

O trabalho da equipa coordenada por David Sobral, baseada em Lancaster, em Lisboa e na Califórnia, vai continuar a concentrar-se em algumas das novas galáxias descobertas, estudando em pormenor aquelas que se apresentam mais brilhantes e olhando com o mesmo método para outras zonas do céu que ainda não foram contempladas.

Outra preocupação da equipa que hoje apresentará o mapa na Semana Europeia da Astronomia e da Ciência Espacial foi tornar este catálogo de galáxias público, "para que outros cientistas o possam usar".

"É importante que a ciência possa progredir assim, por isso quisemos torná-lo disponível", frisou David Sobral.

O trabalho vai também ser publicado no boletim mensal da Real Sociedade Astronómica do Reino Unido.

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