Engenheiro defende desigualdade entre géneros

Documento de dez páginas foi divulgado na google, mas identidade do autor é desconhecida

Um documento anónimo, mas que se suspeita ter sido escrito por um engenheiro de software da Google defende que não existe igualdade de género no setor porque as mulheres são biologicamente diferentes dos homens e, por isso, menos vocacionadas para a liderança. O autor do documento de dez páginas - divulgado na íntegra pelo site Gizmodo, mas avançado em primeira mão pelo site Motherboard - foi criticado nas redes sociais por funcionárias da multinacional. A Google reagiu com um memorando interno onde garante que o documento não representa o ponto de vista da empresa.

O documento, no entanto, defende que "a distribuição das preferências e competências de homens e mulheres são diferentes em parte por razões biológicas e essas diferenças podem explicar porque não vemos uma representação igualitária de mulheres nas tecnologias e na liderança". O autor enumera depois uma lista de diferenças entre homens e mulheres, onde elas são mais abertas a lidar com sentimentos do que com ideias, são mais interessadas nas pessoas do que nas ideias. Já os homens são descritos como mais orientados para o status. "Perguntamo-nos muitas vezes porque não vemos mulheres na liderança, mas nunca perguntamos porque vemos tantos homens nesses lugares. Essas posições requerem, frequentemente, muitas e stressantes horas de dedicação que depois podem não valer a pena se quisermos uma vida equilibrada e recompensadora", escreve o autor cuja identidade permanece desconhecida.

Este é mais um revés para a gigante da internet, que desde abril está a ser investigada pelo Departamento do Trabalho dos EUA por pagamentos desiguais entre mulheres e homens.

Perante este manifesto, que gerou indignação, mas também compreensão por parte de alguns funcionários, a recém-nomeada vice-presidente para a diversidade, integridade e regulamentação, Danielle Brown respondeu com um email interno onde defendeu que a empresa não se vê representada, nem apoia este ponto de vista.

Programadoras influentes reagiram no Twitter questionando a Google sobre quem seria despedido na sequência deste manifesto. Uma das programadora da empresa lamenta que o seu colega ainda se ofereça para ajudar a reduzir o fosso entre os géneros na empresa. Entre as sugestões estão reduzir a competição entre os funcionários e encorajar a cooperação ou tornar o mundo da tecnologia e os cargos de liderança menos stressantes, uma vez que as mulheres "têm maior tendência para serem ansiosas".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.