"Doença X": a epidemia que ainda não chegou mas que poderá ser mortal

Trata-se de uma bactéria ou vírus hipotético que pode surgir no futuro e causar uma infeção generalizada. A OMS incluiu-a na sua lista de agentes patogénicos que ameaçam a saúde mundial

O alerta é da Organização Mundial da Saúde (OMS): bactérias ou vírus desconhecidos podem causar uma grave epidemia internacional no futuro e é por isso que a entidade decidiu incluir a "doença X" na sua lista de agentes patogénicos infecciosos que representam uma ameaça para a saúde global devido ao seu potencial epidémico.

A "doença X" ainda não existe, mas o mais certo é que venha a existir: trata-se de uma bactéria ou vírus hipotético que pode surgir no futuro e causar uma infeção generalizada. Ou seja, trata-se de fazer planos para cenários em que as variáveis são desconhecidas. A OMS espera, com esta medida, sensibilizar os estados membros sobre a necessidade de estarem preparados para uma possível emergência causada por um agente ainda desconhecido e para necessidades de acelerar a investigação.

"A 'doençax' representa o conhecimento de que uma séria epidemia global pode ser causada por um patogénio autalmente desconhecido", explica a organização.

"A 'doença X' é temporária. Por exemplo, a sida era uma doença X, já que matou muitas pessoas e não se sabia o que era ", diz Juan Pablo Horcajada, chefe do serviço de doenças infecciosas no Hospital del Mar, em Barcelona, citado pelo El País. Horcajada defende que todos os sistemas de saúde devem estar suficientemente preparados para combater a "doença X", quer a nível da contenção epidemiológica qquer do ponto de vista do diagnóstico rápido.

Esta hipotética doença pode vir a ser causada pela resistência a antibióticos

"Isso serve tanto para um vírus respiratório como para um vírus que passa pela água, uma bactéria resistente aos antibióticos ou um fungo ambiental", diz o responsável, adiantando que é crucial existirem equipas multidisciplinares e que ajam rapidamente, com protocolos estabelecidos e que sejam treinadas por epidemiologistas, especialistas em doenças infecciosas, microbiologistas e técnicos que trabalham em epidemiologia de campo.

Esta hipotética doença pode vir a ser causada pela resistência a antibióticos, mas José María Martín Moreno, professor de Saúde Pública da Universidade de Valência e ex-diretor de Gestão de Programas para a Europa na OMS, disse ao El País que o mais provável é que a doença se desenvolva através de um mecanismo de transmissão zoonótica - quando uma doença infecciosa que geralmente afeta os animais passa para os seres humanos - como foi o caso do ébola, salmonella ou VIH, que foi transferido para os humanos por chimpanzés, no início do século XX. "À medida que o ecossistema e os habitats humanos mudam, há sempre o risco de que as doenças passem de animais para humanos", explicou o professor.

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